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Malandro não é mané

Lula foi de beijinho no estandarte da escola a pau pau para a oposição

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Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto de Arquivo

Assim como toda história tem começo, meio e fim, todo homem deve ter um sonho e todo bom malandro não entrega o jogo antes do apito final. Com as garras afiadas, toda a oposição estava de plantão para, tão logo terminasse o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem a Luiz Inácio, recorrer à Justiça contra o presidente da República. Mais batido do que uma abacatada com leite de bode, o argumento seria a propaganda eleitoral antecipada. Conforme Notibras antecipou antes mesmo da chegada da agremiação na dispersão, houve muita alegria, alguma polêmica, mas nenhuma ilegalidade.

Lula foi, não foi, deixou de ir, mas acabou fondo. Foi e ficou só no beijinho, beijinho do estandarte da escola e pau pau para os decepcionados bolsonaristas, todos loucos para furar a inflada e sólida bolha petista. Janja também estava, mas preferiu não estar. Em outras palavras, quem tem malandragem de verdade cria suas próprias oportunidades. Com olhar afiado e esperteza, o verdadeiro malandro não apenas sobrevive, mas encanta, aprende e sempre encontra um jeito de virar o jogo. Resumindo o enredo, ser malandro não é ser bandido, ladrão, tampouco oportunista.

Ser malandro é ser sensato, saber entrar, saber sair e falar, caso seja preciso. Lula seguiu o script anunciado previamente. De acordo com a linguagem jurídica, no fim e ao cabo quem tem jogo de cintura nunca fica encurralado. Para desespero e mágoa eterna dos bolsonaristas, Lula jogou limpo e encantou a plateia da Marquês de Sapucaí sem muito esforço. Foi homenageado, agradeceu a homenagem, se mostrou sem fazer campanha e silenciosamente mostrou aos frustrados foliões da extrema-direita que é na sabedoria que ele ganha dos chamados malandros agulha.

E, como dizem os mais sábios da política, isso ninguém tira do líder nacional do petismo. Aproveitando mais um ditado sobre a malandragem honesta, o bom malandro é aquele que se faz de bobo para sobreviver em um mundo de caçadores. Longe das teses ilusionistas da oposição, Lula não desfilou, não pediu voto e nem se apresentou como candidato, mas foi visto, inclusive pelos bolsonaristas mais espertos, aqueles que, mesmo com ódio e loucos para pegar Lula no pulo, tiveram de assistir todo o desfile.

Pior foi perceberem que o povão gostou e que, com ou sem fantasia, um bom malandro precisa apenas de um boné para se fingir de mané. Para quem não é do ramo, malandragem é a sabedoria calculada. Ao contrário do que imaginavam os da extrema-direita, Luiz Inácio não deu sopa para o azar. Como a festa era regada somente a caldos, ele levou garfo e faca, usou suas duas sombras e fez como o gato: deixou para o cão a fama de ser o melhor amigo dos homi. Quanto ao chefe dos malandros agulha, vale lembrar que, a exemplo do Diabo, ele pegou as almas dos idiotas para salvar o país e não conseguiu.

Por isso, tentou o golpe para se salvar. A mentalidade suprema provou ao cidadão do coturno desamarrado que o malandro sem lastro é o pior dos manés. Aprovado na avenida, Luiz Inácio mostrou ao povo de lá e de cá que o bom malandro não é aquele que se limita a aprender com seus erros. Malandragem mesmo é aprender com os erros dos outros. É claro que, a começar por Flávio Bolsonaro, a oposição desenxabida deve protocolar uma avalanche de ações contra os supostos crimes do PT e de Lula na Sapucaí. Considerando que não houve ilegalidades, será pura perda de tempo. Como na máxima do malandro, Lula lá é o jacaré. Em rio infestado de piranhas, ele só nada de barriga para cima.

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