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Calendário chinês

O Ano do Cavalo e o tempo que respira com força

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Autor/Imagem:
Anabelle Santa'cruz - Foto Editoria de Artes/IA

Nesta terça-feira, 17, tem início um novo ciclo segundo o milenar calendário chinês. Sob a influência do Cavalo, o tempo muda de ritmo. Não se trata apenas de uma troca de números no calendário, mas de uma mudança de energia — uma virada invisível que, para milhões de pessoas no Oriente e no Ocidente, redefine o humor do mundo.

O chamado Ano-Novo Lunar é celebrado em diversos países asiáticos, especialmente na China, onde a tradição atravessa dinastias, guerras, revoluções e tecnologias. Diferentemente do calendário gregoriano, fixo e solar, o calendário chinês é lunissolar: observa o movimento da Lua, mas harmoniza seus ciclos com o Sol. O resultado é um sistema sofisticado que conecta astronomia, agricultura, espiritualidade e destino.

Os 12 animais
No coração desse calendário está o zodíaco chinês, formado por doze animais — Rato, Boi, Tigre, Coelho, Dragão, Serpente, Cavalo, Cabra, Macaco, Galo, Cão e Porco — que se alternam ano após ano. A lenda conta que o Imperador de Jade convocou uma corrida para decidir a ordem dos animais. O Cavalo chegou com vigor e quase conquistou posição de destaque, mas foi surpreendido pela astúcia da Serpente, que saltou à frente no último instante.

O simbolismo permanece: o Cavalo é associado à liberdade, movimento, paixão, coragem e impulso vital. É o arquétipo do viajante, do aventureiro, daquele que não suporta rédeas apertadas.

Força espiritual
No plano místico, o Cavalo representa fogo e expansão. Ele é energia que não aceita estagnação. Em anos regidos por esse signo, a tradição sugere que o mundo tende a acelerar: decisões rápidas, transformações súbitas, deslocamentos físicos e emocionais.

Não por acaso, o Cavalo também simboliza independência e espírito indomável. É o ano de romper amarras, trocar de rota, ousar.

Mas há um alerta espiritual: o mesmo impulso que liberta pode também desestabilizar. A energia do Cavalo exige direção. Sem propósito, transforma-se em ansiedade; com consciência, converte-se em conquista.

O destino
Além dos animais, o calendário chinês combina cinco elementos — Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água — criando um ciclo de 60 anos. Cada combinação altera a vibração do período. O Cavalo de Fogo, por exemplo, carrega intensidade máxima; o Cavalo de Água, mais sensível e intuitivo.

Essa estrutura revela a profundidade filosófica do sistema, influenciado por tradições como o I Ching, que ensina que tudo está em constante mutação, e pelo pensamento atribuído a Confúcio, que via harmonia como fruto do equilíbrio entre forças opostas.

Organismo vivo
Para o olhar ocidental, o calendário marca datas. Para a visão oriental, ele respira. Cada ano tem personalidade. Cada ciclo tem humor próprio.

O Ano do Cavalo convida ao movimento — externo e interno. É tempo de sair do estábulo da rotina, de confiar na própria força, de escutar o som dos próprios cascos no chão da existência.

Mais do que superstição, o calendário chinês é uma metáfora sofisticada sobre ritmo, natureza e destino. Ele nos lembra que o tempo não é apenas algo que passa: é algo que pulsa.

E nesta terça-feira, 17, quando o novo ciclo se abre sob o signo do Cavalo, talvez não seja exagero perguntar: Estamos prontos para galopar?

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Anabelle Santa’cruz é Editora de Oráculos

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