Desejo insatisfeito
Se beleza não põe mesa…
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Daniel e Andressa conheceram-se no Facebook. Ambos se disseram divorciados, interessaram-se um pelo outro, brincaram, flertaram, ficaram muito a fim. Ela mandou uma foto seminua, com uma máscara anti Covid ocultando parte de seu rosto; era uma mulher de uns 40 anos, nenhuma Angelina Jolie, mas dava pro gasto. Ele não mandou foto, era careca, gordinho e, com mais de 50 anos de vida sedentária, sabia que não era nenhum Brad Pitt.
Se beleza não põe mesa, tesão põe cama, e os dois estavam loucos por um amorzinho virtual. Só que dava tudo errado.
– Vamos fazer hoje, Andressa, tô morrendo de vontade.
– Eu também, Daniel. Mas aqui em casa não tenho privacidade alguma. Sabe como é, apartamento pequeno, três filhos, o mais novo com menos de 4 anos…
– Faz o seguinte, vai pro banheiro, se tranca e a gente faz.
Ela relutou, mas acabou obedecendo. Tirou a roupa, mas manteve a máscara.
– Isso, querida, agora acaricia os seios, que delí…
– Manhê, quero fazer cocô!!!
-Já saio, filhinho. – E pro ex-quase-futuro amante:
– Viu, Daniel, é sempre assim.
Vestiu-se às pressas, saiu e deixou o rebento fazer cocô à vontade.
O homem, ainda excitado, insistiu.
– Aproveita que o garoto tá lá dentro e me mostra os peitinhos outra vez. Tava começando a me tocar.
Ela relutou, mas acabou obedecendo.
– Isso, amor, que lindos! Ago…
– Manhê! Vem me limpar!
Enquanto ela obedecia à ordem do pimpolho, a ereção foi dar uma voltinha.
– É, tá difícil – disse ele, admitindo a derrota. – O pior, Andressa, é que uma transa de verdade vai demorar. Você mora em Pernambuco e…
– Em São Paulo. Na capital.
– Seu perfil diz Recife.
– Morei lá, mas tô em São Paulo. No Tatuapé.
– Coincidência, eu também! Aí, fica bem mais fácil. Em que rua, gostosa? Vai que eu conheço…
– Rua X. Outra coisa, Daniel, se a gente vai transar de verdade, você precisa saber, meu nome verdadeiro não é Andressa…
Ele mal registrou as palavras da ex-Andressa.
-Que número? – rosnou.
– Número y. Moro perto de você? – perguntou num tom de brincadeira.
Ele respirou fundo e falou.
– Duas coisas. Primeira, também dei um nome falso. Segunda, por uma coincidência dos diabos, moro no mesmo edifício, no apartamento 82.
– Seu Osório!!
Ele finalmente reconheceu a voz.
– Dona Clotilde!! – e impaciente, morrendo de vontade outra vez, que a ereção acabara de entrar em casa:
– Sobe, Clotilde, minha mulher saiu e só volta no final da tarde!
Ela obedeceu sem relutar.