Saudade e esperança
Entre dois céus
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Dois céus se erguem sobre nossa existência:
um céu da saudade, que guarda o que não retorna,
outro céu da esperança, que acena ao que ainda não chegou.
E assim seguimos, navegantes da alma,
entre memórias e promessas.
A saudade é rio que corre para trás,
traz consigo o perfume dos dias vividos,
os rostos que amamos,
os instantes que se eternizaram em silêncio.
É doce ferida que não cicatriza,
mas que nos mantém ligados ao passado
como raízes que sustentam a árvore da vida.
A esperança é estrela que aponta o caminho,
mesmo quando sabemos que o tempo não se repete.
Ela nos faz acreditar
que novos instantes de ternura virão,
que outras lembranças nascerão,
que o futuro também pode ser guardado
como tesouro da alma.
Vivemos entre saudade e esperança,
como quem respira dois ventos:
um que sopra do ontem,
outro que sopra do amanhã.
E nesse equilíbrio sagrado,
a solidão se torna ponte,
a vida se torna travessia,
e o coração aprende
que amar é sempre caminhar
entre dois horizontes.