E.T.
O cosmonauta
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Sentado no bar da Guarda, Ataíde pensa ouvir vozes:
“As coisas são assim… Parecem sonhos, mas são reais… Por onde eu andava no dia em que o disco voador desceu aqui?”
Pagou o goró e saiu zanzando pelas areias da beira rio da Madre. E pensando em no meio da noite escura:
“Será mesmo assim? O disco voador veio aqui de verdade?… Eu não vi… Onde eu estava?”
Ataíde sempre esteve ligado nas coisas astronômicas. Sonhou viajar pelo cosmos e um dia voltar para contar.
Naquela noite, ele sentiu algo mais forte. Lance transcendental, além das vozes que ouvia.
Súbito, o facho de luz. E Ataíde se foi.
Anos depois, encontraram Ataíde sentado numa pedra na beira do rio/mar.
Cuidaram dele e ele permaneceu mudo por alguns anos.
Seguiu dormindo por todo o inverno. Certa noite de Lua vermelha e maré cheia, Ataíde acordou.
“Chegou a hora!”
A comunidade entrou em pânico e Ataíde acalmou.
“Calma, pessoal; chegou o tempo da gente ser feliz outra vez. As tainhas estão chegando!”
Passados os anos, Ataíde fundou a Igreja Templo de Luz da Pedra do Disco Voador; casou, teve filhos e filhas que também foram abduzidos, voltaram e mantiveram a tradição.
Chegaram as novidades na pequena vila de pescadores e com elas os celulares e as redes sociais. Em menos de um mês Ataíde já estava famoso com milhões de likes em sua página na rede social.
De tempos em tempos, o disco voador pousava na Pedra do Costão levando o vivente para passear no Cosmos.
A família de Ataíde foi envelhecendo e partindo um a um. Menos ele. O tempo permanecia estático para Ataíde. Harmonia, beleza distante do caos.
Hoje, Ataíde vive sozinho em uma pequena caverna de pedra no Vale da Utopia, na Guarda do Embaú, SC, e atende pelo nome terráqueo de Vilmar.
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*Foto Tasso Scherer
*Gilberto Motta é escritor, jornalista, professor/pesquisador e amigo de bons papos com Ataíde lá no Vale. Vive na Guarda do Embaú, vilarejo pesqueiro do litoral Sul de SC.