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Aulas de poesia

Soneto e acróstico em oficinas

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Autor/Imagem:
Edna Domenica - Foto Francisco Filipino

Aulas de poesia são ainda pouco usuais. Para reverter tal situação seria necessário reconhecer que o ensino da poesia pode contribuir para a necessária humanização das relações sociais, ainda que, paradoxalmente, a criação poética pertença ao âmbito do indivíduo.

No entanto, pretende-se, aqui, apenas registrar um testemunho: ensinar a escrever poemas é uma tarefa possível, destinando-se a aprendizes de qualquer idade.

É necessário que as aulas de escrita poética tenham formato de práticas reflexivas.

Para tal, algumas indagações são necessárias: o que é um poema, o que é poesia? Os autores de textos verticais sem rima e métrica fixa são poetas?

Quando incluir o soneto em uma programação? Quando incluir o acróstico?

Poemas são composições poéticas. Mas o que quer dizer poético?

Quem já experimentou e redigiu versos ou prosa poética sabe do que se trata, ainda que não o tenha expressado de forma didática.

A apresentação gráfica de um poema é vertical, podendo, por esse critério, ser facilmente diferenciada da prosa. A linguagem poética é icônica e sintética, opondo-se nesse sentido à linearidade da prosa.

A poesia utiliza linguagem analógica e metafórica, opondo-se ainda à prosa que se inclina a aparentar o lógico, a imitar a realidade e a inventar o verossímil. Além de ser algo diferente da prosa, o que define a poesia para o aprendiz?

Os poemas cantados podem contribuir como instrumentos de aprendizagem de ritmos e rimas.

A feitura e a leitura poéticas são emocionais e relacionais. Para entender o que vem a ser poético é preciso abrir-se a viver o inusitado, seja num laboratório ou oficina de criação, seja na experiência embutida no cotidiano (mas dela destacada).

Um poema resulta de um estado ou momento poético vivido pelo (a) escritor (a). Um momento poético é algo semelhante ao que a gestaltterapia descreve como o processo de entrar em contato com o aqui e agora. É do âmbito do indivíduo, ainda que nunca diga respeito à personalidade civil e sim a um “eu poético”.

A linguagem poética expressa sensações, remetendo dessa forma aos sentidos humanos: audição, visão, olfato, paladar, tato. Os órgãos dos sentidos contribuem para obter sensações que se processam na mente. A volição, a atenção e o contato são as condições para o surgimento da sensação, da percepção e da consciência.

Um tema é poético se traduzir a conscientização de uma experiência de qualidade estética.

Mas o que é qualidade estética? Ela é definida conforme a qualidade das respostas que as artes podem dar a um determinado momento social e cultural. Para o arcadismo valiam os temas bucólicos e pastorais; para o romantismo o amor, a morte, a liberdade; para o parnasianismo contava mais a forma do que o conteúdo, prevalecendo a concepção clássica de busca da perfeição; para os simbolistas o etéreo e o diáfano. Os modernistas incluíram os temas cotidianos. Nas concepções canônicas os efeitos da poesia são estéticos, devendo provocar deleite e sublimação. Nas concepções contemporâneas o feio e o impuro comparecem como elementos estéticos. Prevalece a noção de que o jogo poético tenha função humanizadora e que contribua para a construção do pensamento divergente (inclusivo e criativo).

Na construção poética, são relevantes:

– a ativação de emoções no eu poético;

– a expressão de sensações e sentimentos pela utilização de ícones;

– o uso da linguagem metafórica.

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Referências

MEROLA. Ensinar a escrever poemas é uma tarefa possível? Blog Aquecendo a Escrita. 2012
http://aquecendoaescrita.blogspot.pt/2012/07/ensinar-escrever-poemas-e-uma-tarefa.html
__________ Rimas e Métrica. Blog Netiativo. 2013.
http://netiativo.blogspot.com.br/2013/11/rimas-e-metrica-soneto-de-bilac-e.html

Edna Domenica é bacharel em Letras, autora do livro de poemas “Cora, coração” (Nova Letra, 2011), co-autora de Rapsódia da Rua da Mooca (Tão Livros, 2026).

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