Fusca falante
Carta ao Herbie, o Fusca 68
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Corria o ano de 1968.
E eu, com perninhas de Fórmula 1, corria para o Cine Potiguaras lá no interior de São Paulo, para a Sessão de Domingo. Na tela: “Ah! Se eu meu Fusca falasse”.
A história é básica é a de um encontro de um velho piloto decadente que se encontra como o seu destino: o Fusca Herbie.
Jim Douglas (Dean Jones) é um piloto de corridas já mais velho e fracassado que acaba esbarrando no carrinho branco em uma loja de automóveis sofisticados importados. O amor entre o velho piloto e Herbie é instantâneo.
O único personagem que realmente sabe do segredo de Herbie desde o início é Tennessee Steinmetz (Buddy Hackett), um mais do que simpático mecânico e artista que vive com Jim em um antigo prédio do corpo de Ele trata Herbie fala, ouve e sente a vida como se fosse um ser humano.
Com música-tema primorosa composta por George Bruns, mago musical da Disney (A Espada Era a Lei, Mogli, o Menino Lobo, Aristogatas), direção de arte cuidadosa e efeitos especiais e práticos que, se talvez não tenham envelhecido bem aos olhos modernos, realmente marcaram época e ainda são visualmente belíssimos.
E A FOTO AÍ DE UM FUCA VERMELHO?
Vamos lá. A foto que chama a minha crônica de hoje é tão interessante quanto quase trágica. O fato é que, retornando do supermercado, dei de cara com esse Fusca vermelho aparentemente abandonado no quintal de mato alto.
Naquele instante, Herbie de 1968 saltou de minha memória e ganhou as minhas emoções.
Parei de imediato, peguei o celular e fui fazendo as fotos.
Enquanto fotografava, as cenas do filme que marcou aqueles meus 12 anos de idade, lá em Tupã/SP, foram passando como num flash-back a mil.
Nisto, ouça o cara gritando comigo e querendo saber:
“Qualé, o mané? O que que tá fotografando o meu carro aí?”
Somente então percebi que, na verdade, eu estava invadindo um terreno particular, sem muro (mas particular). Súbito, respondi:
“Opa, amigo… desculpe-me… é que que estou me lembrando de um filme lá da minha infância sobre um Fusca que falava…acho que não é do teu tempo…”
“Para lá, mané… Fusca que fala? Inventa outra”.
“Não! Verdade verdadeira: é a história de Herbie, um Fusquinha que era humano e falava”.
O cara – com cara e jeitão de poucos amigos -, mandou a final:
“Apaga essa merda aí, mermão, APAGA!”.
Claro, concordei.
Depois pedi se eu poderia mostrar para o cara reportagens sobre o filme. Ele continuou achando que eu estava chapado ou algo assim; depois
concordou.
Localizei o filme no YouTube e mostrei o resumo.
FINAL FELIZ
O cara violento e desconfiado foi mudando de atitude e começou a sorrir.
Terminado o resumo de “Se meu Fusca falasse”, o cara já estava sem jeito e pedindo desculpas.
Expliquei que escreveria uma crônica aqui para o Café Literário e tal e enviaria para ele com a foto do Herbie dele.
Então aqui está: promessa feita, fato cumprido.
Putz, Herbie, legal a tua ideia de –mesmo já velhinho -, você se pintar de vermelho.
Dessa parada nós escapamos, querido Herbie!
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Gilberto Motta é escritor, jornalista, professor/pesquisador apaixonado por Fuscas desde que se conhece por gente. Vive na Guarda do Embaú/SC.