Acúmulo de gerações
As mulheres e o cansaço histórico
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Se fosse possível medir o cansaço social, talvez descobriríamos que muitas mulheres carregam não apenas o próprio cansaço, mas o cansaço acumulado de gerações.
Cansaço de trabalhar muito, cuidar de muitas pessoas, resolver muitos problemas e ainda precisar provar constantemente competência, moralidade e responsabilidade.
A filósofa Silvia Federici argumenta que o trabalho reprodutivo cuidar da casa, dos filhos, dos idosos, da alimentação sempre foi invisibilizado pelo capitalismo, apesar de ser essencial para a existência da sociedade.
Isso significa que muitas mulheres trabalham o tempo todo, mas parte desse trabalho não é reconhecida como trabalho. O resultado é uma sensação permanente de exaustão sem reconhecimento social equivalente.
Talvez o cansaço feminino não seja apenas individual. Talvez seja estrutural.