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Ceilândia

Agressor condenado a mais de 16 anos de prisão por tentativa de feminicídio

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Autor/Imagem:
Malu Oliveira - Foto Pedro Ventura

O Tribunal do Júri de Ceilândia condenou, na última quinta-feira (30), o réu Eric Gomes Luz a uma pena de 16 anos, 9 meses e 18 dias de reclusão. A sentença é referente à tentativa de feminicídio cometida contra sua então companheira em julho de 2024. O crime, que chocou a comunidade do setor QNP, no Distrito Federal, foi julgado como homicídio qualificado pela condição de gênero da vítima.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o ataque só não resultou em morte devido à intervenção imediata de terceiros. Duas testemunhas que presenciaram as agressões agiram rapidamente, impedindo que Eric Gomes Luz consumasse o crime. Essa interrupção externa foi crucial para que a vítima fosse resgatada ainda com vida após os golpes sofridos.

Após o ataque, a mulher foi socorrida em estado grave e levada às pressas para o Hospital Regional de Ceilândia (HRC). Na unidade de saúde, ela precisou passar por intervenções médicas de emergência, incluindo uma drenagem torácica. O procedimento foi fundamental para estabilizar seu quadro clínico, uma vez que o risco de morte era considerado iminente pela equipe médica.

As investigações revelaram que o episódio de julho de 2024 não foi um fato isolado na história do casal. O processo detalha que o relacionamento era marcado por um ciclo recorrente de abusos e violência doméstica. O histórico de agressões já havia sido alvo de registros em ocorrências policiais anteriores, evidenciando uma escalada de tensão que culminou na tentativa de assassinato.

Durante a sessão de julgamento, os jurados acataram as teses da acusação e reconheceram as qualificadoras do crime. Para o conselho de sentença, a motivação e as circunstâncias do ataque configuraram nitidamente o feminicídio. A decisão reflete o rigor da justiça local em relação a crimes praticados no âmbito das relações afetivas e familiares.

Ao proferir a sentença, o juiz presidente do tribunal destacou o perfil de alta periculosidade do réu. Em sua fundamentação, o magistrado ressaltou que os registros mostram um padrão de comportamento agressivo e persistente. Para a Justiça, Eric agia sob crenças machistas que reforçavam uma desigualdade de poder e o controle sobre a vida da companheira.

Em virtude da gravidade do crime e do histórico de violência, o magistrado determinou que a pena seja cumprida inicialmente em regime fechado. A decisão também negou ao réu o direito de recorrer em liberdade, visando garantir a ordem pública e a segurança da vítima, que sobreviveu ao ataque, mas carrega as marcas da violência.

Com a condenação, Eric Gomes Luz permanece detido no sistema prisional do Distrito Federal. O desfecho do caso encerra um capítulo jurídico importante na Ceilândia, servindo como resposta institucional ao combate à violência de gênero. O Judiciário agora monitora o cumprimento da pena, enquanto a vítima segue em acompanhamento após o trauma sofrido.

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