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Muito além

A vida não cabe no currículo lattes

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Autor/Imagem:
Emanuelle Nascimento - Foto Francisco Filipino

Há uma violência silenciosa na forma como a sociedade contemporânea mede valor humano: produtividade, títulos, publicações, desempenho. Tudo precisa ser comprovado, contabilizado, transformado em currículo.

Mas ninguém coloca no Currículo Lattes as vezes em que sobreviveu emocionalmente. Ninguém registra oficialmente os dias em que levantar da cama já exigia força política e subjetiva.

A lógica neoliberal transformou sujeitos em projetos permanentes de desempenho. Como analisa Byung-Chul Han, vivemos em uma sociedade do cansaço, onde o sujeito explora a si mesmo acreditando estar apenas “buscando sucesso”.

Talvez por isso tantas pessoas brilhantes estejam exaustas.

A academia mede produção. O capitalismo mede rendimento. Mas a vida real continua acontecendo em outro lugar: no corpo cansado, nas crises silenciosas, nos recomeços invisíveis.

E talvez exista uma inteligência profundamente humana em continuar existindo mesmo quando nada disso vira mérito acadêmico.

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