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Tempo de vida

O capitalismo nos roubou o descanso

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Autor/Imagem:
Emanuelle Nascimento - Foto Francisco Filipino

Descansar se tornou quase um privilégio moral.

Mesmo quando paramos, sentimos culpa. Precisamos “aproveitar o tempo”, “ser produtivos”, “evoluir”. O descanso deixou de ser pausa e virou desempenho estético nas redes sociais.

Karl Marx já denunciava que o capitalismo não explora apenas força física; ele captura tempo de vida. Hoje, talvez ele capture também nossa subjetividade.

Até o lazer virou produtividade emocional.

Estamos cansados antes mesmo da semana começar.

E talvez uma das formas mais radicais de resistência contemporânea seja recuperar o direito ao descanso sem culpa.

Sentar em uma praça. Ler sem obrigação. Dormir. Não fazer nada.

Num mundo obcecado por rendimento, descansar virou quase um ato político.

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