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Constelações vivas

Por ti, eternidade

Publicado

Autor/Imagem:
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

Por ti atravessei desertos de silêncio,
vesti mil caminhos em meus pés,
e o tempo, como guardião paciente,
acolheu a memória dos teus olhos,
que me seguiam como constelações vivas.

Por ti aprendi a decifrar a sombra,
a colher o ouro escondido na dor,
deixando pegadas no calendário
como quem grava eternidade na areia.

Provei águas densas e salgadas
quando, nas curvas do destino,
tu escapavas como vento indomável,
mas ainda assim tua presença
se erguia em meu horizonte.

Foi por ti que minha alma errante
clamou teu nome às aves,
e elas o levaram, letra por letra,
até a borda do tempo,
para que eu pudesse amar tua essência.

Por ti me deixei levar pelas ondas,
até que o mar me devolveu teu abraço,
e nele provei o elixir da tua humanidade,
aroma que se espalha como primavera,
fazendo-me esquecer a busca
e renascer em novos sonhos.

Por ti caminho de olhos vendados,
guiada pelo perfume da tua presença,
segura como quem descansa no infinito,
pois sei que és meu,
e em ti encontro o sentido da vida.

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