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Guardião da história

O museu que preserva o verdadeiro início de Brasília

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Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforado - Foto Divulgação

A história da construção de Brasília costuma ser lembrada pelos traços monumentais e pelas grandes obras de concreto do Plano Piloto. No entanto, o verdadeiro cotidiano dos operários que ergueram a capital Federal encontra-se preservado longe do centro político. Localizado às margens da BR-040, o Museu Vivo da Memória Candanga guarda a herança afetiva e material dos pioneiros.

O espaço cultural ocupa uma área estratégica próxima ao Núcleo Bandeirante, região que no período da construção era conhecida como Cidade Livre. O complexo também fica perto da Candangolândia, que abrigava a antiga sede da Novacap. Essa localização geográfica conecta diretamente o museu aos antigos acampamentos operários que deram origem à nova capital no Planalto Central.

Antes de se transformar em um ponto turístico e cultural, o local abrigou o Hospital Juscelino Kubitschek de Oliveira, o HJKO. Essa foi a primeira unidade de saúde construída no Distrito Federal, planejada para dar suporte à imensa massa de trabalhadores que chegava à região. O hospital representava o único ponto de socorro em meio ao canteiro de obras.

A demanda por serviços de saúde no Distrito Federal crescia de forma acelerada na década de 1950. O HJKO não atendia apenas os operários acidentados nas frentes de trabalho da nova capital. O hospital também realizava partos e prestava atendimento ambulatorial constante para crianças e donas de casa que migraram para o cerrado.

A estrutura do antigo hospital refletia a urgência e o caráter temporário exigidos pelo ritmo da construção civil da época. O complexo original de saúde era formado por 23 edificações feitas inteiramente de madeira. Toda essa estrutura hospitalar foi levantada em apenas dois meses, sendo inaugurada oficialmente no dia 6 de julho de 1957.

O Hospital Juscelino Kubitschek de Oliveira cumpriu sua função assistencial por quase duas décadas no Distrito Federal. A unidade de saúde permaneceu em pleno funcionamento até o ano de 1974. As atividades foram encerradas após a inauguração do Hospital Distrital, conhecido atualmente como o Hospital de Base de Brasília.

A preservação daquele patrimônio histórico começou a ganhar força na década seguinte, por meio de iniciativas governamentais. O Decreto número 9.036 de 1985 instituiu o tombamento do conjunto do HJKO pelo Governo do Distrito Federal. Essa medida legal impediu a demolição das estruturas de madeira e garantiu a sobrevivência do espaço.

O processo prático de restauração do conjunto das edificações remanescentes teve início logo depois, no ano de 1986. O projeto recuperou sete residências de médicos, quatro galpões de alojamento e o prédio principal do atendimento hospitalar. O objetivo dessa grande mobilização era criar o museu e as Oficinas do Saber Fazer.

A inauguração oficial do Museu Vivo da Memória Candanga aconteceu no dia 26 de abril de 1990. Desde a abertura, os visitantes contam com a exposição permanente chamada “Poeira, Lona e Concreto”. Essa mostra narra a trajetória da transferência da capital, desde o surgimento da ideia até a festa de inauguração em 1960.

O acervo inicial do museu foi composto por peças do cotidiano dos pioneiros que moravam nos acampamentos da região. O espaço também reuniu equipamentos médicos do antigo hospital e registros fotográficos da época da construção. Além disso, o local recebeu móveis originais que pertenciam ao Brasília Palace Hotel.

O reconhecimento do valor histórico do complexo ganhou um reforço de peso nacional vinte e cinco anos após sua inauguração. Em novembro de 2015, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o IPHAN, tombou os remanescentes do conjunto. Esse ato garantiu uma proteção jurídica em dupla esfera para o museu.

Atualmente, o museu oferece uma variedade de coleções artísticas e históricas para os seus visitantes frequentes. O público pode conferir as esculturas em madeira do Seu Pedro e o acervo do fotógrafo Mário Fontenelle. Há também uma maquete do Plano Piloto atualizada em 2006 e mostras dedicadas às mulheres pioneiras.

Apesar da riqueza cultural, a estrutura do museu enfrenta desafios constantes devido ao clima característico do cerrado. A alternância entre a seca severa e as chuvas intensas acelera o desgaste natural das paredes e colunas. A ação do tempo e o ataque de cupins exigem reformas frequentes nas casas de madeira.

O Museu Vivo da Memória Candanga funciona de segunda-feira a sábado, das 9h às 17h, com entrada totalmente gratuita. O fechamento e a abertura das salas de exposição seguem orientações da subsecretaria de cultura. Toda a agenda de eventos é divulgada nas páginas oficiais do museu no Instagram e no Facebook.

Além de atrair turistas, a ampla área verde do local é muito procurada para a realização de ensaios fotográficos de gestantes e noivos. O espaço também mantém forte vocação educacional e acadêmica no Distrito Federal. Em 2022, estudantes da Universidade de Brasília utilizaram as exposições para refletir sobre a identidade dos trabalhadores candangos.

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