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Dr. Leo

Dogue de Bordeaux, o gigante gentil que conquistou a história e as famílias

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Autor/Imagem:
Leonardo Bernar - Foto Irene Araújo

O mundo dos cães esconde histórias fascinantes sobre raças que quase desapareceram, mas que hoje encantam milhares de lares pelo planeta. Entre esses animais marcantes, destaca-se o dogue de bordeaux, um cachorro de porte gigante que combina uma presença imponente com um temperamento dócil. Também conhecido popularmente como mastim francês, esse cão carrega séculos de história em seu olhar penetrante e em suas rugas características.

A sua trajetória começa oficialmente na França, país apontado como o berço de origem da raça. Especialistas apontam que ele é um molosso, termo utilizado para classificar cães grandes, robustos e historicamente usados para proteção. Embora os dados antigos não sejam totalmente precisos, acredita-se que um de seus prováveis antepassados seja o Alaunt Veutrerer, um animal antigo que também deu origem aos famosos buldogues.

A própria palavra “dogue” carrega um significado forte que ajuda a entender a natureza desse animal. Em idiomas como o inglês e o alemão, o termo tem variações que derivam de expressões antigas voltadas para descrever um “cão poderoso e musculoso”. Na prática, a denominação sempre foi usada para identificar cães fortes, utilizados no passado para a captura e imobilização de grandes animais.

Historicamente, o dogue de bordeaux é considerado um dos cães mais antigos de todo o território francês. No século XIV, ele já era mencionado em livros de caça famosos na Europa por sua força física impressionante. Naquela época, nobres e caçadores já admiravam a sua capacidade de trabalho, destacando que a sua mordida era incrivelmente potente, superando a união de vários outros cães juntos.

Antes de ganhar o mundo, o mastim francês viveu por muito tempo concentrado em uma região específica no sudoeste da França, chamada Aquitânia. Naquele período, as pessoas da região utilizavam as habilidades do animal para diversas tarefas pesadas do dia a dia. Ele era o companheiro ideal na caça de javalis, servia como guardião de propriedades e de rebanhos de gado, e ajudava no trabalho de açougueiros.

O reconhecimento oficial com o nome que conhecemos hoje aconteceu no ano de 1863, durante a primeira exposição de cães realizada em Paris. Naquele evento, diferentes variações regionais do animal foram apresentadas ao público. Com o passar do tempo, as características do tipo encontrado na cidade de Bordeaux prevaleceram e deram origem ao padrão atual da raça.

Guardião imponente e sereno

Apesar de sua força, a raça enfrentou momentos dramáticos no século passado e quase foi apagada da história humana. O dogue de bordeaux sofreu muito com os impactos causados pela Primeira e pela Segunda Guerra Mundial. O cenário foi tão devastador que o animal chegou muito perto da extinção, mobilizando criadores e admiradores apenas na década de 1960 para salvar os poucos sobreviventes.

Atualmente, o visual desse cachorro continua a impressionar qualquer pessoa que cruza o seu caminho. Ele possui um corpo extremamente musculoso e poderoso, mas que consegue manter uma aparência harmoniosa e elegante. Um exemplar macho pode atingir até 68 centímetros de altura e chegar a pesar impressionantes 65 quilos, o que o coloca na categoria de cães gigantes.

Outro detalhe físico marcante está na sua cabeça, que é proporcionalmente uma das maiores de todo o reino canino. A sua face é repleta de rugas profundas causadas pela pele solta, e a sua pelagem é fina, curta e muito suave ao toque. Suas cores são sempre em tons de fulvo, podendo variar até o vermelho acaju, acompanhadas por uma máscara escura ou marrom ao redor dos olhos.

Por trás de todo esse tamanho e cara de bravo, no entanto, esconde-se um temperamento que surpreende positivamente as famílias. O cão é amplamente descrito como um animal territorial e protetor, demonstrando uma fidelidade extrema aos seus tutores. Ele se destaca por ser um companheiro tranquilo, dócil e que desenvolve uma paciência admirável com as crianças da casa.

Mesmo sendo muito carinhoso, o mastim francês é dono de uma personalidade forte e de muita independência. Ele não é o tipo de cachorro que fica implorando por atenção ou carinho o tempo todo, embora adore a companhia dos donos. Por ter um forte instinto de guarda, ele sabe se impor quando necessário e pode atacar outros cães caso se sinta desafiado.

No mundo moderno, esses cães deixaram o passado de caça pesada para trás e ganharam uma merecida fama de “batatas de sofá”. Apesar do tamanho de gigante, eles preferem a calmaria do lar e se cansam com muita facilidade. Longas caminhadas e trilhas não fazem o estilo da raça, que prefere relaxar ao lado de seus tutores em ambientes calmos.

Essa combinação de imponência e doçura acabou levando o dogue de bordeaux direto para as telas do cinema mundial. Na década de 1980, a raça ficou mundialmente conhecida ao estrelar o clássico filme policial “Uma Dupla Quase Perfeita”. Na história, o carismático e babão cão contracenava com o famoso actor de Hollywood Tom Hanks, conquistando o público.

O sucesso da raça também atrai a atenção de grandes personalidades e atletas internacionais que buscam um companheiro leal. Um dos exemplos mais famosos é o do craque de futebol argentino Lionel Messi, que frequentemente encanta a internet ao postar fotos de sua rotina. O jogador compartilha momentos de carinho ao lado de seu imenso e dócil mastim francês de estimação.

O escritor Eduardo Cesario-Martínez e a sua amiga Manicó

No universo da literatura brasileira, a raça também encontrou um espaço especial e de muito destaque. O dogue de bordeaux é o animal favorito do premiado escritor contemporâneo Eduardo Cesario-Martínez. O autor é um apaixonado por cães e convive de perto com esses animais em seu cotidiano familiar.

Essa convivência tão próxima acabou se transformando em inspiração artística para as produções do escritor. Uma de suas cadelas de estimação da raça, batizada carinhosamente de Manicó, tornou-se uma figura carimbada em seus textos. A cadela gigante virou tema central de alguns contos e crônicas escritos por Eduardo ao longo de sua carreira.

Para quem planeja adotar um animal desse porte, no entanto, é fundamental conhecer as necessidades específicas da saúde da raça. Devido ao seu tamanho gigante e peso elevado, o dogue de bordeaux exige cuidados especiais com as articulações e alimentação equilibrada. Além disso, a sua expectativa de vida acompanha o padrão de cães grandes, variando geralmente entre 6 e 10 anos.

Em resumo, o dogue de bordeaux é uma prova viva de como a história pode transformar antigos guerreiros em protetores gentis. Seja brilhando em filmes de Hollywood, descansando na sala de jogadores de futebol ou inspirando contos da literatura nacional, o mastim francês consolida o seu espaço. Ele se mantém como uma das raças mais fascinantes, leais e marcantes do mundo canino.

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Instagram: @leoobernar

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