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Dura na queda

Keith, eterna companheira

Publicado

Autor/Imagem:
Maria Lúcia Flores do Espírito Santo Meireles - Texto e foto

Quem tem cachorro e o perde vai saber bem do que estou falando. Keith, uma cachorra vira-lata, das mais vira-latas possível.

Uma veterinária, amiga nossa, a resgatou na rua e a levou para o abrigo para adoção. Minha filha morava numa casa, com um terreno muito grande e viu a necessidade de adquirir um cachorro. Foram ela, o marido e meu neto, na época, bem criança para escolher um canino.

Ao chegar ao abrigo, olharam vários cachorros machos, mas se encantaram por aquela cadela que parecia falar: “Me leve! Eu prometo ser uma excelente companheira.”

Todos três tiveram a mesma impressão, que aquela seria a companheira ideal e nem olharam mais, levaram a Keith.

Keith já se mostrou solícita. Ao chegar, já deu uma vasculhada no quintal e parecia querer falar.

Keith já tinha seus 2 anos mais ou menos e tinha jeito de já ter sido mãe. Keith passou a ser a melhor amiga de todos e fazia seu trabalho de vigiar a casa e o quintal com maestria. Ela espantava até as moscas que chegavam perto.

Depois de alguns anos, chegou a Nina, também resgatada na rua. Como Nina era pequenina, Keith só faltou falar pra minha filha: “Pode deixar, mamãe, eu cuido. Ela vai ser minha filha agora.”

Cuidava da Nina e a ensinava também, lhe dava broncas, bastava passar um olhar para Nina entender que precisava obedecer a Keith, pois era a mãe dela. Nina obedecia cegamente.

Na casa vizinha, tinha uma fêmea de pastor alemão, super feroz, já adulta. Umas duas vezes, essa pastora alemã escapara e fora invadir a casa da minha filha. Keith lutou bravamente, todas as duas vezes, e não deixou a pastora entrar. Ficou toda machucada. Todas as duas vezes precisou ir ao hospital veterinário para curar as mordidas da vizinha.

Por duas vezes também enfrentou cobras, pois a casa da minha filha era cercada por um parque ecológico. Virava e mexia, aparecia calangos, até gatos-do-mato, e Keith punha todos pra correr, sem contar os escorpiões que ela impedia de entrar.

Keith sempre foi uma lady, sempre com postura real. Eu sempre falei pra minha filha que Keith era uma gata, pois tinha 7 vidas. Keith passou por um câncer de mama, enfrentou tanta coisa de machucar, teve um problema seríssimo de coluna, ficou até sem andar um tempo, ficou toda torta, mas continuou altiva como sempre. Não perdia a pose.

Sempre quando a gente falava: “Desta vez, Keith não escapa.” Passava alguns dias, Keith estava com a postura de madame, de novo, pronta pra enfrentar qualquer batalha.

Teve um problema neurológico que teve de ficar internada no hospital. Mas o câncer voltou. Desta vez no baço. Desta vez, nada segurou. Keith perdeu a batalha ontem à noite.

Meu genro e meu neto fizeram a pior tarefa da vida deles, cavaram um buraco no quintal, para ela continuar sendo a companheira deles eternamente.

Vivera uma vida cercada de muito amor. Ela tinha 14 anos.

Adeus, Keith!

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