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Sentença definitiva

Estão tentando tirar o lixo da bolsonave antes que ela caia de vez e mate um sonho

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

No vale-tudo eleitoral do Brasil, pelo menos um partido começa a se reciclar. Refiro-me às lideranças patriotas do PL, as quais determinaram que se jogue no lixo do Congresso Nacional todo o excesso de porcaria da bolsonave, antes que ela se apague e caia de vez no fundo do Lago Paranoá. A sentença é clara: ou abandonamos definitivamente a falsidade da ordem e do progresso, ou vamos afundar na lama fétida que nós mesmos criamos e que, às vezes, florimos com rosas do tipo 17 e 22 e pintamos com as tintas derramadas em torno do Brasil varonil pelos senhores feudais da Faria Lima, todos probos, íntegros, mas distantes de qualquer sintoma de retidão.

O recado ainda não foi liberado às hostes pelegas, sonhadoras e golpistas da direita e da extrema-direita. No entanto, dizem as boas e más línguas que ele circula há semanas no entorno do clã da familícia já está valendo. Simplória, mas objetiva, a mensagem é cristalina, visível, manifesta e patente: Saiamos de fininho para evitar que os declarados, operantes e estultos patriotas não consigam enxergar sequer o pau de nossos narizes de pinóquio.

Nada que o Brasil inteiro já não soubesse. O problema é que, tomados por um patriotismo desembestado e desconexo, muitos dos que habitam a pátria amada fingem que está tudo bem desde outubro de 2018. Para os brasileiros que não fogem à luta, a “mercadoria” começou a feder naquela “festiva” tarde em que o povo do cristianismo bolsonarismo gritou para o mundo inteiro ouvir: Olha a faca. De lá para cá, esse povaréu não se conforma com o Brasil em mãos que não sejam as deles.

Enquanto o recado não é assimilado, o senador acochambrado no Congresso de Davi Alcolumbre (União-AP) e de Hugo Motta (Republicanos-PB) busca o colo de Donald Trump como uma última cartada para sua natimorta campanha presidencial. Com apoio dos celerados do PL e ciceroneado pelo mano Dudu do Hambúrguer e, agora, pela desatenta, mas sempre criminosa, Carla Zambelli, o moço que um dia se imaginou presidente da República tenta adentrar a Casa Branca para evitar que sua história fique ainda mais negra que a escuridão da noite.

Por falar na pocilga chamada Congresso Nacional, Alcolumbre e Motta abriram o mercado da pilantragem às facções mais próximas, às quais deram uma licença oficial para destruir o que ainda resta do Brasil. Com a aquiescência de ambos, grileiros, garimpeiros, madeireiros e afins estão liberados para desmatar sem controle, grilar e garimpar à vontade na Amazônia, roubar os coitados dos índios e acabar com a biodiversidade local. Tudo isso em nome do progresso bolsonarista.

Fazem isso, mas, sem que consigam perceber o tamanho do próprio rabo, insistem em divulgar que o ladrão nacional é Lula da Silva. Pobres coitados que fazem, fazem, mas não sabem o que dizem. São essas mãos bondosas e bandidas que esperneiam incessantemente para evitar que o sonho sonhado pelos brasileiros de bem, da paz e do verdadeiro patriotismo se transforme em pesadelo armado, sangrento e nojento. Com certeza, Deus acima de todos vocês não permitirá que o Brasil vire pó em vossas mãos.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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