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Sistema do Detran-DF

Cinco investigados por fraude em massa estão foragidos

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Autor/Imagem:
Bartô Granja - Foto Divulgaçao

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou uma operação nesta terça-feira (26) para desarticular um esquema criminoso infiltrado no Detran-DF. A ação penal mira um grupo suspeito de invadir o sistema da autarquia para realizar centenas de fraudes veiculares. Cinco pessoas com prisões preventivas decretadas pela Justiça não foram localizadas e passaram a ser consideradas foragidas.

O grupo criminoso atuava de forma coordenada para acessar ilegalmente o banco de dados do órgão de trânsito. O objetivo principal das invasões sistêmicas era realizar a transferência ilegal de propriedade de veículos de forma rápida. Além disso, os criminosos comercializavam a retirada indevida de multas pendentes e a exclusão completa de restrições administrativas ou judiciais.

As investigações apontaram que a fraude alcançou proporções alarmantes no Distrito Federal, com mais de 600 acessos indevidos identificados. Toda essa movimentação suspeita foi centralizada a partir da credencial de uma única servidora pública. A própria funcionária procurou a polícia para anunciar o crime assim que descobriu que seu login e matrícula estavam sendo usados ilegalmente.

A Polícia Civil aponta o servidor do Detran-DF Alexandre Macedo da Rosa como o mentor e principal líder do esquema. A esposa dele, Shana Rodrigues Macedo, que não possui nenhum vínculo funcional com o órgão, também está entre os foragidos. A apuração revelou que os pagamentos cobrados dos clientes do esquema eram depositados diretamente na conta bancária da companheira do servidor.

A lista de procurados divulgada pelas autoridades do Distrito Federal inclui ainda outros dois nomes com mandados expedidos. Trata-se de Caio Raffael Furtado e Pedro Cruz Filho, apontados como participantes ativos nas fraudes. Há ainda um quinto investigado com ordem de prisão decretada, mas sua identidade e fotografia não foram liberadas para a imprensa.

O delegado responsável pela investigação na 17ª Delegacia de Polícia, Thiago Boeing, explicou que o caso começou a ser apurado há cerca de um ano. O ponto de partida foi o relato da servidora lesada que percebeu centenas de operações suspeitas feitas em seu nome. A partir desse alerta inicial, os investigadores da PCDF montaram um monitoramento minucioso sobre os acessos.

A primeira fase da operação policial foi deflagrada pelas equipes de investigação ainda no início deste ano. Naquela ocasião, as autoridades cumpriram mandados de busca e apreenderam telefones celulares e diversos materiais tecnológicos. Foi a análise detalhada desses dados apreendidos que permitiu à polícia mapear a liderança e o papel de Alexandre no grupo.

Conforme detalhado pelo delegado Thiago Boeing, a dinâmica envolvia a participação direta de despachantes no recolhimento de clientes. Esses intermediários ofereciam abertamente os serviços ilícitos de limpeza de histórico veicular a terceiros. Para obter os benefícios ilegais no sistema de trânsito, cada motorista interessado pagava em média o valor de R$ 2 mil por fraude.

O dinheiro arrecadado com os crimes sustentava a estrutura financeira da organização criminosa. Todo o montante das transações ilícitas caía de forma direta na conta de Shana Rodrigues Macedo. As investigações reforçam que o esquema gerou sérios prejuízos financeiros e administrativos para os donos legítimos de veículos e para os cofres do poder público.

Os cinco investigados foram formalmente denunciados por uma série de práticas criminosas graves. O rol de crimes inclui organização criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Adicionalmente, eles responderão pelo crime específico de inserção de dados falsos em sistema de informática. A reportagem tenta localizar os advogados de defesa dos envolvidos.

Em posicionamento oficial, o Detran-DF informou que identificou as primeiras irregularidades por meio de seus próprios mecanismos de monitoramento interno. A autarquia destacou que atua em parceria contínua com os setores de inteligência e investigação da Polícia Civil. O órgão ressaltou que vem adotando tecnologias de segurança da informação, como a autenticação multifator (MFA).

No âmbito administrativo, o Detran-DF garantiu o bloqueio imediato dos acessos e o afastamento de qualquer servidor que esteja envolvido. O funcionário responderá a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), estando sujeito à penalidade máxima de demissão. A instituição reforçou que continuará colaborando com as autoridades policiais para o aperfeiçoamento constante dos sistemas de prevenção.

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