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Supremo afiou as garras

Celina entra em cena como leoa e BRB respira

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José Seabra - Foto Divulgação/STF

A crise que ameaçava transformar o Banco de Brasília em mais um símbolo nacional de colapso financeiro começou a encontrar uma saída institucional nesta terça, 26, com uma reunião da governadora Celina Leão (PP) no Supremo Tribunal Federal. Ela agiu como leoa diante da tempestade em encontro conduzido pelo ministro Luiz Fux. Sem indícios de evento meramente burocrático, ficou o sinal mais claro de que o Governo do Distrito Federal conseguiu tirar o BRB da linha de fogo e recolocar o banco no centro de uma construção política, econômica e jurídica voltada à sobrevivência da instituição.

Ao sentar à mesa com representantes da União, do Banco Central, do Tesouro Nacional, da AGU e do próprio BRB, a governadora Celina Leão demonstrou que não pretende assistir passivamente ao desgaste de um dos maiores patrimônios econômicos do Distrito Federal. O gesto teve peso político e mostrou mostrou que o GDF compreendeu que o problema do BRB já ultrapassou os limites de uma crise bancária comum. No fundo, disse Celina a seus interlocutores, trata-se de uma questão institucional, social e estratégica para Brasília.

No encontro ficou claro que o BRB não é apenas um banco, mas agente pagador de servidores, financiador da economia local, operador de programas sociais e peça fundamental do funcionamento da máquina pública distrital. Para Celina, permitir seu enfraquecimento equivaleria a mergulhar a capital da República numa espiral de insegurança econômica e política. Esse argumento ganhou musculatura dentro do Supremo.

Ao abrir a audiência, Luiz Fux ressaltou a relevância institucional e econômica do tema e estimulou a construção de uma solução consensual. Traduzindo para o português político, o ministro enfatizou que ninguém deseja carregar nas costas a responsabilidade histórica por um eventual colapso do banco que tem o GDF como acionista majoritário.

A saída construída na audiência aponta exatamente para sobrevivência com engenharia institucional. O caminho desenhado envolve empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), garantia de bancos privados e contragarantias baseadas em recursos do Fundo de Participação dos Estados e Municípios, sem necessidade de aval direto da União. Em outras palavras, encontrou-se uma trilha jurídica para evitar o sufocamento financeiro do BRB sem provocar uma guerra federativa.

A partir desse movimento, cabe acentuar que o Distrito Federal aceitou discutir ajustes fiscais adicionais. Isso muda completamente o ambiente político da negociação, porque o GDF deixa de aparecer como um ente em busca de socorro e passa a atuar como parceiro de uma solução responsável.

No centro desse tabuleiro, Celina Leão assumiu um protagonismo que muitos não imaginavam há poucos meses. Herdando um cenário contaminado pela crise envolvendo o Banco Master e pela deterioração da imagem do BRB no mercado, a governadora percebeu rapidamente que não havia espaço para discursos vazios. Portanto, era necessário agir rápido.

A presença do presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, também reforçou a percepção de que o banco tenta reconstruir sua credibilidade apoiado em nos pilares da liquidez, capitalização e reputação. A estratégia parece ter encontrado eco no Supremo.

Nos bastidores de Brasília, a leitura já começa a ganhar força, sugerindo que o STF dificilmente permitirá uma ruptura traumática envolvendo o BRB. Fux sinalizou que o banco carrega importância sistêmica para o DF e qualquer desfecho desastroso teria efeitos políticos e econômicos imprevisíveis.

Por isso, a audiência desta terça-feira marcou o início de uma virada. A “leoa” do Buriti entendeu que crises não se enfrentam apenas com discursos, mas com presença política, articulação institucional e capacidade de construir pontes até mesmo em meio ao fogo cruzado. Ao fim da reunião, Celina reconheceu que o BRB ainda não saiu da UTI. Mas, pontuou, pela primeira vez em meses, os sinais vitais voltaram a aparecer com alguma estabilidade.

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José Seabra é CEO fundador de Notibras

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