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Menino Deus

O bairro que me ensinou a ver a grandeza na fragilidade.

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Autor/Imagem:
@donairene13 - Texto e Foto

Moro no bairro Menino Deus, na simpática Porto Alegre. Depois de tantos anos vivendo em Brasília, ainda estranho um pouco essa coisa de bairros com nomes tão particulares, quase íntimos. Em Brasília, os lugares costumam ser números, siglas, setores. Aqui, os bairros parecem personagens de uma história antiga. E eu gosto especialmente desse nome: Menino Deus. Tem algo de delicado nele. Talvez porque o bairro também seja assim: plano, simples, caminhável, sem pretensão. Um lugar onde a vida parece caber melhor dentro dos dias.

Às vezes fico pensando no nome enquanto caminho pelas ruas. Menino Deus. Mas percebo que gosto ainda mais de inverter as palavras e imaginar um Deus menino. É parecido, mas não é igual. Menino Deus é um menino que é Deus. Deus menino é um Deus que escolheu ser menino. Que abriu mão da grandeza para caber na fragilidade de uma criança. Um Deus pequeno, vulnerável, humano. Um Deus que não veio do alto para esmagar ninguém, mas para sentar perto, dividir o pão, conhecer o medo, o frio e o colo.

Talvez seja isso que mais me enterneça nesse nome que encontro todos os dias nas placas de rua e nos ônibus da cidade. A ideia de um Deus menino. Um Deus que se fez pequeno para estar entre os que se julgam grandes. Que não chegou impondo força, mas oferecendo presença. E então, enquanto caminho pelo Menino Deus, penso no Deus menino. Um menino Deus. Um Deus menino. E gosto de imaginar que, às vezes, a fé mora justamente nessas pequenas inversões de palavras que também mudam a maneira da gente olhar o mundo.

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