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Marina Dutra

Luto

Publicado

Autor/Imagem:
Marina Dutra - Texto e Foto

Existe algumas frases que pessoas enlutadas escutam o tempo inteiro e que quase nunca ajuda:

“Mas ele já era idoso…”

“Ela já viveu bastante…”

“Pelo menos descansou…”

Como se a idade diminuísse o impacto da despedida.

Mas quem ama não sofre pela quantidade de anos que alguém viveu.

Sofre pela ausência que fica.

E é importante dizer isso com clareza: não existe despedida fácil quando existe vínculo verdadeiro.

A morte de alguém idoso pode até ser mais compreendida racionalmente, mas o coração não funciona na lógica do calendário.

Ele sente a falta da voz. Da presença. Dos hábitos pequenos. Do lugar ocupado dentro da família e da vida.

Porque perder alguém não é apenas perder uma pessoa.

É perder referências, memórias, histórias, partes da própria identidade.

E cada pessoa vive isso de uma forma.

Alguns choram imediatamente. Outros entram em silêncio. Alguns ficam fortes demais. Outros parecem anestesiados. E tudo isso faz parte.

O luto não é doença.

É um processo emocional natural diante de uma perda significativa.

O problema é que vivemos numa sociedade que quer acelerar a dor.

Que espera que a pessoa “reaja logo”.

Que trata sofrimento como fraqueza ou exagero.

Mas dor ignorada não desaparece.

Ela apenas encontra outras formas de se manifestar.

Por isso é tão importante compreender as fases do luto não como uma regra rígida, mas como movimentos emocionais que ajudam a mente e o coração a processarem a perda.

A primeira fase costuma ser a negação.

É quando parece impossível acreditar no que aconteceu.

A mente tenta se proteger do impacto.

Depois pode surgir a raiva.

Raiva da situação, da vida, dos médicos, de Deus, de si mesmo.

E muita gente sente culpa por isso. Mas sentir raiva também faz parte da dor.

Em seguida, muitas pessoas entram na fase da barganha. Os pensamentos começam “E se eu tivesse feito diferente?” “E se tivesse percebido antes?”

É a tentativa emocional de voltar no tempo para evitar o inevitável.

Então chega a tristeza profunda.

Talvez a fase mais difícil.

É quando a ausência se torna real.

Quando o silêncio pesa.

Quando a saudade encontra espaço para existir.

E, aos poucos, sem pressa e sem obrigação, pode surgir a aceitação.

Aceitar não significa esquecer.

Não significa deixar de amar.

Significa aprender a continuar vivendo carregando a memória sem ser destruído pela dor.

E aqui existe algo muito importante: cada pessoa tem seu tempo.

O luto não é linear.

Não funciona como uma escada organizada.

Às vezes, você acha que melhorou… e desaba novamente por causa de uma música, um cheiro, uma fotografia.

Isso não significa regressão. Significa humanidade. O problema começa quando a dor fica congelada. Quando a pessoa não consegue acessar o sofrimento, elaborar a perda ou retomar minimamente a vida.

Porque luto precisa ser vivido. Sentido. Atravessado.

Ninguém supera uma perda fingindo que ela não aconteceu.

E talvez uma das maiores demonstrações de amor seja justamente permitir-se sofrer a ausência de quem foi importante.

Se você está vivendo um luto, respeite o seu processo.

Não tente ser forte o tempo inteiro.

Não transforme dor em desempenho.

Buscar ajuda também é uma forma de cuidado.

Em muitos casos, a terapia ajuda a organizar emoções, acolher sentimentos difíceis e impedir que a dor se transforme em adoecimento emocional silencioso.

É esse o trabalho que realizo nos meus atendimentos: ajudar pessoas a atravessarem dores profundas com mais consciência, acolhimento e estrutura emocional. É um caminho que eu já trilhei três vezes.

A verdade é que algumas perdas mudam a vida para sempre. Mas elas não precisam destruir quem fica.

…………………

Acompanhe “Café com Consciência”, às segundas, às 7h30, no Instagram @sersuperconsciente.

Marina Dutra
Terapeuta Integrativa
sersuperconsciente@gmail.com

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