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Elite mentirosa

Escala de trabalho vai beneficiar Neymar ao inverso, com 1 jogo e 6 folgas

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Autor/Imagem:
Sonja Tavares - Foto de Arquivo/ABr

Metendo os pés pelas mãos, sem qualquer compromisso com o trabalhador brasileiro e como torcidas organizadas de peladas de facções criminosas, a direita festiva se uniu à extrema-direita diabólica para perseguir um objetivo comum: usar a aprovação da PEC que decreta o fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados para minar as resistências do brasileiro assalariado, culpá-lo de eventuais mazelas decorrentes da nova jornada e transformar em vítima a elite golpista, nababesca, mas farofeira, e hoje baseada somente na Inteligência Artificial.

Ao contrário do que afirmam os pseudo líderes conservadores, entre eles o pastor deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), não é crime a população de baixa renda reivindicar melhores condições de trabalho. Considerando que é justamente ela que mais contribui com braços e impostos para o crescimento da nação, nada mais justo do que trabalhar cinco dias e folgar dois. Crime é mentir deslavada e desmedidamente para os menos esclarecidos e até para eles mesmos que a escala 5×2 levará o país e os pequenos e médios empresários, particularmente o do varejo, à falência.

Irresponsavelmente, a elite capciosa e medonha se utiliza da mediocridade do Congresso Nacional para espalhar a informação de que as consequências da redução de jornada serão desastrosas para a plebe. Não é verdade, pois, se a “plebe” quebrar, levará consigo a súcia de empresários tacanhos, cuja proposta de vida é ganhar, ganhar, ganhar e nunca perder. Se eles não querem ou fingem não saber, não existe economia forte com trabalhadores fracos e adoecidos.

Como arremedos de pessoas inteligentes, a elite do comércio varejista, da indústria, do agronegócio e do setor de serviços tenta colar nos verdadeiros pagadores de impostos a ideia de que, mantida a nova escala, o futuro econômico do país será o da definitiva insustentabilidade. O que ela (a elite) não é capaz de assimilar é que a escala 6×1 não é sinônimo de produtividade, mas sim de exaustão. A vida é muito mais do que trabalhar seis dias por semana para descansar apenas um. Falar em insustentabilidade é esquecer que a ordem natural da vida é trabalhar para viver, e não viver apenas para trabalhar.

Insustentável é achar bonito a permanência do trabalhador cerca de duas horas em pé dentro de um ônibus lotado de manhã e à noite, de segunda a sábado, lhe pagar um salário-mínimo e ainda descontar os minutos atrasados e eventuais faltas por doenças justificadas. Isso é crime hediondo, mas, para o empresariado, é pegar ou largar. Aprovado esta semana na Câmara, a proposta da escala 6×1 já seguiu para o Senado de Davi Alcolumbre (União-AP), onde poderá sofrer mudanças contrárias aos anseios do povo. Em oposição ao governo federal, o PL e as siglas vinculadas ao atraso e às maracutaias tentarão inviabilizar a PEC.

Acho difícil, mas, partindo da maioria medíocre que se apresenta como deputados e senadores, tudo pode acontecer. Além do apoio do presidente Lula da Silva à proposta de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), há o apelo popular contra Alcolumbre, Sóstenes Cavalcante e demais integrantes da destrambelhada facção denominada direita. Em ano eleitoral, aposto e dobro como vencerá a tese que reflete a luta trabalhista por mais tempo livre, por saúde mental e qualidade de vida. Fichas à mesa. O jogador Neymar Júnior deve ser o primeiro “trabalhador” a utilizar o regime 6×1 durante a Copa do Mundo: jogará uma partida e folgará seis.

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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras  

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