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Vendedor de ilusão

Flávio está virando espelho embaçado do pai

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Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto de Arquivo

Há um provérbio japonês que diz que “O bambu que sobrevive ao vento não é o mais duro da floresta, mas aquele que aprendeu a se curvar sem abandonar suas raízes”. Conforme a tradição japonesa, o bambu não é apenas um símbolo de virtude. Entre os orientais, a planta também é utilizada como metáfora de resiliência conscientes. No português do brasileiro comum, ela é análoga àqueles que absorvem pressão, raramente se quebram e jamais abandonam o que sustenta sua forma.

Na prática, o ditado tem tudo a ver com uma reflexão de três vertentes bastante lógicas e todas alusivas ao presidente Lula da Silva. Relativa ao czar do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), a primeira descreve a personalidade de quem aprendeu a se curvar sem abandonar suas raízes. No linguajar do povão que vota em quem sabe o que faz e o que diz, o ensinamento corrige a tese dos congressistas, para os quais Lula cedeu fácil demais à força de Alcolumbre.

Obviamente que contra os acordos facciosos de bastidores não há argumentos. De acordo com os votos, Lula perdeu, mas não se enfraqueceu diante da mesquinharia política que foi a rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. Tanto que, cumprindo uma prerrogativa constitucional que é somente dele, o presidente da República deve indicar um novo nome para o pleno do STF. E não será nenhuma surpresa se Messias for novamente indicado. É aí que entra a segunda vertente da reflexão: a convicção e a determinação.

A terceira é a credibilidade e envolve diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato da extremada extrema-direita à sucessão do próprio Lula e cujo ego e descrédito exagerados lembram, de longe e de perto, o pavor de novamente perder o que ele e toda a família imaginam como propriedade privada: a Presidência da República. O apego ao poder tem levado o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro a ultrapassar todos os limites da mínima convivência política.

Na verdade, depois do sonho golpista, o pesadelo do bolsonarismo tende a se perpetuar com a recorrente decisão de Flávio Bolsonaro em ridicularizar o Brasil no exterior. Não satisfeito com o fracassado tarifaço, o candidato sem noção e sem essência política propôs a Donald Trump a inclusão do terrorismo na política brasileira. Logo ele que é “amigo” particular de Daniel Vorcaro e de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, cuja vinculação explícita com o Comando Vermelho o fez perder o mandato de deputado estadual.

Como no tarifaço, a sugestão de denominar o PCC e o CV como organizações comunistas provavelmente levarão mais alguns milhões de votos conservadores para o ralo. Tudo porque, além das queixas dos banqueiros, a decisão do governo dos Estados Unidos compromete o turismo e a economia nacional. Ou seja, como candidato capaz de reduzir as mazelas do Brasil, Flávio Bolsonaro não passa de um espelho embaçado do pai. É um vendedor de ilusões. Nada mais do que isso. Na história em quadrinho, esse tipo é como um crocodilo: quando ele abre a boca, você não sabe se ele está sorrindo ou se preparando para nos devorar.

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Arimathéia Martins é jornalista

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