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Roland Garros

João derruba Ruud e coloca o Brasil novamente entre os gigantes

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Bartô Granja - Foto Divulgação

Paris voltou a ouvir sotaque brasileiro nas quadras de saibro de Roland Garros. E não por acaso. Aos 19 anos, João Fonseca escreveu mais um capítulo memorável de sua ascensão meteórica ao derrotar o norueguês Casper Ruud, duas vezes finalista do torneio francês, e garantir vaga inédita nas quartas de final do Grand Slam parisiense.

A vitória veio em quatro sets — 7/5, 7/6 (10/8), 5/7 e 6/2 — após quase quatro horas de batalha na quadra Philippe-Chatrier. Mais do que o resultado, impressionou a maturidade do brasileiro diante de um dos maiores especialistas do circuito no saibro.

O triunfo ganha dimensão ainda maior porque aconteceu apenas dois dias depois de Fonseca protagonizar outra façanha: eliminar o sérvio Novak Djokovic em uma épica virada de cinco sets. A dúvida em Paris era saber se o jovem teria forças físicas e emocionais para repetir o nível de atuação. A resposta veio de forma contundente.

Sob os olhos atentos de Gustavo Kuerten, último brasileiro a conquistar Roland Garros, Fonseca mostrou personalidade de veterano. Foram 51 bolas vencedoras e uma agressividade controlada que desmontaram o jogo consistente de Ruud.

A classificação também recoloca o tênis brasileiro em um patamar que não frequentava há décadas. Fonseca tornou-se o primeiro brasileiro a alcançar as quartas de final de Roland Garros desde a era de Guga e passa a integrar uma lista extremamente seletiva de jovens talentos que chegaram tão cedo às fases decisivas de um Grand Slam.

Mais impressionante ainda é o contexto do torneio. Com a eliminação de diversos favoritos, a chave masculina de Roland Garros vive um cenário raro: nenhum dos remanescentes conquistou um Grand Slam. Isso abre uma janela histórica para que uma nova geração assuma definitivamente o protagonismo do tênis mundial.

Agora, o brasileiro terá pela frente o tcheco Jakub Mensik, outro representante da nova safra do circuito. O vencedor alcançará sua primeira semifinal de Grand Slam, ampliando ainda mais o caráter histórico da campanha.

Em Paris, já não se fala apenas em promessa. João Fonseca transformou expectativa em realidade. E, a cada vitória, faz o Brasil sonhar novamente com os dias em que Gustavo Kuerten reinava absoluto no saibro francês. O futuro do tênis parece ter encontrado um endereço. E ele atende pelo nome de João Fonseca.

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