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Bússola embriagada

Clã Bolsonaro viaja na maionese como navio sem destino definido

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Autor/Imagem:
Misael Igreja - Foto Editoria de Imagens/IA

Já ouvi dizer que o ex-presidente Jair Bolsonaro é considerado a bússola do senador e candidato presidencial Flávio Bolsonaro. Pode ser, mas a dele deve estar quebrada ou desmagnetizada e, por isso, aponta sempre para o lado contrário da sociedade. Para mim, seja qual for a situação, a intuição é minha melhor bússola. Navegando no mar aberto dos meus pensamentos democráticos, a bússola que carrego no peito sempre aponta na direção da ilha chamada povo brasileiro. Como um GPS de última geração, é ela que me indica o caminho correto.

Seguindo a máxima de tal pai, tal filho, viajo na improbabilidade, mas não na impossibilidade, de o clã Bolsonaro eleger mais um presidente da República. Para alguns, a glória, para outros, o prazer mórbido. Entretanto, para a maioria certamente será o pior de todos os cenários imaginados desde a eleição de 2018. O prejuízo para o Brasil pode ser muito maior do que o período em que, enquanto Bolsonaro fazia piada com a morte, numerosas famílias choravam a partida de seus entes.

Mesmo atolado nas denúncias de envolvimento íntimo e fraternal com o mafioso Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro, ludibriando a suposta boa-fé de Donald Trump, conseguiu uma foto ao lado do líder republicano na Casa Branca e ainda convenceu Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, a trocar as manchetes brasileiros do escândalo do Banco Master pela classificação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas. Conseguiu? Acho que tão temporariamente como foi o fracassado tarifação sobre nossas exportações.

Falando de bússolas, vale lembrar à família que só tem interesses pessoais e políticos que os que se encantam com a prática sem a ciência são como os timoneiros profetizados por Leonardo da Vinci. Segundo o polímata italiano (homem de múltiplos talentos), esses entram no navio sem timão e sem bússola, nunca tendo a certeza de onde querem chegar. É exatamente dessa forma que vejo o clã: um navio sem comando, sem bandeira, sem instrumento de navegação, viajando na maionese e sem destino definido. Algo como bosta n’água, como diria o poeta popular.

Flávio e os demais Bolsonaro talvez não tenham atentado para um detalhe básico ao incluir a pátria amada na lista de países que abrigam organizações terroristas. Teoricamente, a reivindicação entreguista o tirou do inferno astral gestado por Daniel Vorcaro. No entanto, convém aguardarmos as próximas reações da sociedade verdadeiramente patriota, principalmente daqueles que já percebem dúvidas no sistema bancário, dificuldades nas relações comerciais entre Brasil e EUA, manchas na imagem do país no exterior e, principalmente, ameaças à segurança nacional dos brasileiros.

Por isso, reforço a tese de que considerar Jair Bússola de Flávio é ter a certeza de que um raio pode cair mais de uma vez no mesmo lugar. Não creio na repetição desse tipo de fenômeno da natureza, mas acredito que, com a força do povo ordeiro e de bem com a pátria, em outubro estaremos definitivamente livres desse pesadelo familiar. Quanto à prole de Jair Messias, sugiro que se cuidem, pois, ao que tudo indica, o espaço carcerário da Papudinha ainda cabe mais um, dois ou dez. Tudo em nome da paz para 213,2 milhões de brasileiros.

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*Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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