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Vendaval secreto

Tocada pela eternidade dos versos

Publicado

Autor/Imagem:
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

E eu estremeci,
envolta pelo sopro de um vendaval secreto,

que germina nas linhas de um poema
como se fosse um orvalho cintilante,
nascido da seiva de uma ternura
que escorre das páginas vivas,
metáforas tão radiantes
quanto constelações em vigília,
saboreadas pela alma
até incendiar o horizonte,
gota a gota, luz a luz.

Ali, uma sombra se revela
no perfume de um encantamento,
respirado suavemente
de janeiro a dezembro,
como se cada palavra fosse
um calendário de eternidade.

Com uma intensidade mística e serena,
a poesia se torna chama,
abraçando os segredos da linguagem,
revisando os encantos ocultos
que repousam em cada silêncio,
evocando desejos sutis
como acordes que despertam
a sede dos sentidos.

Então me pergunto:
quantos versos já roubei de ti,
quantas auroras nasceram
do teu sopro invisível?

Uma dança de claridades
desabrocha em um reino etéreo,
onde os sentidos se tornam divindades,
fertéis e luminosas,
celebrando o texto perpétuo
que recita o despertar
do teu ser em minha memória.

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