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Amor eterno

Eu me lembro

Publicado

Autor/Imagem:
Gilberto Motta - Texto e foto

*Para reflexão e ações em tempo de tantas crueldades .

Sentado no banco da praça observa a vida a passar.

E lá vem um casal caminhando lentamente, passo a passo, como numa cena de filme em câmera lenta.

Ele tem oitenta e tantos anos e insiste em levar a mulher também lá pelos noventa segurando com delicadeza as mãos dela.

Pararam quase a minha frente para respirar.

-Bom dia. O senhor poderia me dizer as horas?

Respondi que não passava das dez.

-Obrigado e siga em paz.

Tamanha educação abriu para mim -solitário sempre em minhas caminhadas matinais e paradas na praça – espaço para a conversa.

Chamou-me a atenção a mulher.

-Ela está bem? Parece um pouco aérea, distante.

Ele respondeu:

“Ela tem Alzheimer.”

Então eu fui além:

“Sim. A dependência é sempre um desafio.

Ele respondeu:

“Sim, por isso não posso soltar das mãos dela; é uma espécie de código tátil que dá segurança a ela. Já não sabe quem sou eu, há alguns anos que já
não me reconhece.”

Faço um minuto de pausa e retomo.

“Que bela e difícil a sua atitude, continua de guia no caminho todos os dias apesar de ela não o reconhecer.”

O idoso sorriu e olhou nos meus olhos, então ele falou:

“Ela não sabe quem eu sou, mas eu sei quem ela é … ELA É O AMOR DA MINHA VIDA.”

Ela sorriu para ele que se despediu de mim e seguiram caminhando.

Puxei um lenço do bolso do casaco e limpei uma lágrima solitário descendo por debaixo dos óculos.
(História recolhida na rede Facebook… Sim, ainda há sensibilidade!)

………………..

Gilberto Motta é escritor, jornalista, professor/pesquisador que próximo aos 70 anos tem um pequeno e amoroso cachorro chamado ALZ. Vive na Guarda do Embaú, litoral de SC.

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