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Coruripe - AL

Polícia descobre cemitério clandestino em manguezal

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Autor/Imagem:
Bartô Granja - Foto Divulgação

A Polícia Civil de Alagoas (PC/AL) localizou dois corpos enterrados em uma área de manguezal de difícil acesso no município de Coruripe, situado no litoral sul do estado. A principal linha de investigação aponta que a região litorânea vinha sendo utilizada como um cemitério clandestino. As autoridades acreditam que o local servia para a ocultação de cadáveres de vítimas executadas por uma organização criminosa de forte atuação regional.

A operação de busca e escavação mobilizou um forte aparato de segurança, integrando equipes da Polícia Civil, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. Devido à vegetação densa e às características geográficas do mangue, os agentes enfrentaram severas dificuldades de locomoção para alcançar o ponto exato das covas. Diante disso, foi necessário o suporte de uma retroescavadeira para abrir caminhos e viabilizar os trabalhos de busca na lama.

O início dos trabalhos de campo ocorreu após o setor de inteligência da polícia mãe de família mapear indícios sobre o paradeiro das vítimas desaparecidas. Os levantamentos estratégicos apontavam que criminosos locais usavam a área de preservação para sumir com os corpos de rivais e desafetos. A confirmação das suspeitas veio com a localização dos dois primeiros cadáveres sepultados de forma rasa no terreno lodoso.

De acordo com as declarações do delegado responsável pelo caso, Douglas Rocha, a facção investigada domina o tráfico de drogas na região e coordena assassinatos. O grupo criminoso possui uma característica singular mapeada pela polícia: eles se posicionam de forma independente e rival às principais facções do país. Eles se intitulam avessos ao Comando Vermelho e ao PCC, revelou o delegado sobre o perfil dos suspeitos.

As investigações em torno das execuções na cidade de Coruripe já resultaram na identificação de quatro suspeitos de envolvimento direto em homicídios. Durante as incursões policiais para capturar o bando, um dos homens resistiu à abordagem, entrou em confronto armado com os agentes e acabou morrendo. Os outros três integrantes remanescentes da ala operacional da quadrilha foram devidamente capturados pelas forças estaduais.

A última prisão do grupo ocorreu fora do território alagoano, após uma troca de informações entre os setores de inteligência do Nordeste e do Sudeste. O suspeito foragido foi localizado e detido no estado de São Paulo, em uma ação conjunta que contou com o apoio logístico da Polícia Civil paulista. O homem foi recambiado e permanece à disposição do Poder Judiciário para responder pelos crimes imputados.

Apesar do encerramento das prisões desse núcleo, os trabalhos no manguezal de Coruripe ainda não foram totalmente finalizados pelas equipes de resgate. O delegado Douglas Rocha confirmou que os policiais continuam realizando varreduras minuciosas na lama para mapear possíveis novas covas. A prioridade atual da delegacia é cruzar os dados do terreno com a lista de denúncias de pessoas que sumiram recentemente na região.

A Polícia Civil busca descobrir se os cadáveres encontrados possuem ligação direta com o sumiço de cinco moradores. Esses desaparecimentos foram formalmente registrados pelas famílias em delegacias locais no período compreendido entre os anos de 2023 e 2026. O avanço do inquérito depende do esclarecimento da identidade dessas vítimas para traçar a cronologia de atuação da facção.

Os restos mortais recolhidos no manguezal foram encaminhados diretamente para a sede da Polícia Científica de Alagoas. Os peritos criminais e médicos legistas do órgão assumiram a responsabilidade de realizar os exames antropológicos e de DNA necessários. Os laudos técnicos finais devem detalhar não apenas a identidade de cada um, mas também a causa exata e as circunstâncias violentas das mortes.

A segurança pública da região sul de Alagoas segue em alerta enquanto aguarda os desdobramentos das perícias técnicas do cemitério clandestino. As autoridades pretendem usar o resultado das análises para robustecer as provas contra os três criminosos já presos no processo. Novas incursões na comunidade não estão descartadas caso a inteligência identifique outros pontos de ocultação correlacionados.

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