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Ansiedade intolerante

Cara feia já não faz medo em todo mundo como antes

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto Editoria de Imagens/IA

Conforme o poema Viver Não Dói, de Carlos Drummond de Andrade, normalmente a dor do ser humano não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e que não se cumpriram. Eis a aparente razão do eterno e sufocante sofrimento dos meninos do clã Bolsonaro, cujas projeções irrealizadas dificilmente serão cumpridas. Como aliviar a dor do que não foi vivido? De acordo com Drummond, se iludindo menos e vivendo mais. Simples como uma das quatro operações matemáticas.

O primeiro problema é compreender as derrotas como episódios normais e corriqueiros da vida. Assim como as vitórias, elas não são definitivas. Eu sei disso, vós sabeis e nós sabemos. O segundo problema é convencer os tais meninos de que o medo de perder comumente tira a vontade de ganhar. É o que está ocorrendo com o primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro. Antes mesmo de disputar a eleição contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele tenta vencer à custa do horror da política de Donald Trump.

Depois do Tariflávio e do pedido para classificar como terroristas os integrantes do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital, o que Flávio Bolsonaro ainda pode esperar do feroz “amiguinho” que ele buscou nos Estados Unidos? Tudo que possa lhe render votos sujos, medrosos, fracassados e supostamente capazes de recolocar a família no pedestal mais alto dos algozes do povo brasileiro. Já tivemos muitos, mas poucos com a máscara de santo.

Respondendo de modo mais efetivo à pergunta que fiz no parágrafo anterior, acho que resta aos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro sugerir a Donald Trump para, na remota possibilidade de a Seleção Brasileira se sagrar campeã mundial em solo norte-americano, sobretaxa o hexa. Seria o fim do mundo, mas nada que a cabeça oca do presidente dos EUA não possa cogitar. Nesse caso, corremos o sério risco de o selecionado canarinho voltar tetra de Nova Jersey.

A intolerante e ameaçadora ansiedade de Flávio Bolsonaro em se autodenominar presidente da rachada República Federativa do Brasil é a principal inimiga do candidato na eleição que se avizinha. É uma das principais heranças deixadas pelo pai. Ambos acham que cara feia ou intimidação impõe medo em qualquer um. Impõe, mas não em todos. Há os que já nasceram capazes de se adequar a situações adversas, incômodas e até perigosas. Apesar de mais velhos, esses sabem como se comportar em tempos de controvérsias e de desafios.

Seguindo os aconselhamentos de Martin Luther King, o vencedor de uma refrega envolvendo oponentes que costumam jogar além das quatro linhas é sempre aquele que está disposto a morrer por uma causa. Os que fogem disso não são dignos de viver sem dor. O que mais chama atenção nos imbróglios eleitorais criados diariamente pelo clã Bolsonaro é a força e a determinação demonstradas por quem eles querem derrotar. Não tenho bola de cristal, mas é fácil antever que, caso continue jogando sujo, todos os caminhos de Flávio Bolsonaro o levarão à derrota. Peça votos, mas peça sem sofrer. Faça isso que dói menos.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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