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Patriotismo seletivo

Em tempos de Copa, vale torcer apenas pelo passado de glória

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Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto de Arquivo

Em qualquer segmento da vida, a ordem é mudar para melhor. Na política, o melhor significa viver bem, trabalhar, produzir, faturar, se divertir, ser livre e votar bem. Tudo isso soberanamente, sem sobressaltos e sem interferência do alheio. Depois de tantos percalços ditatoriais, econômicos, financeiros, sociais, endêmicos e golpistas, parece que voltamos à estaca zero eleitoral. Em pleno Ano do Cavalo, mais especificamente do Cavalo de Fogo, ainda existem brasileiros insistindo em voltar à era do pangaré.

Notoriamente despreocupados com o povo, mas secos pelas vantagens e benesses do poder, o clã que se imagina dono do país acha que conseguirá votos desmoralizando seu principal adversário e, antidemocraticamente, negociando a soberania da pátria com um governante estrangeiro que, estimulado pelo que há de pior no Planeta Azul, quer dominar o mundo por meio da força dos fuzis. São eles que, de Norte a Sul do Brasil, se apresentam como patriotas na corrida presidencial.

Em se tratando da última iniciativa do candidato da extrema-direita, é claro que o patriotismo é seletivo, considerando que, deliberadamente, ele se esqueceu de incluir as milícias do Rio de Janeiro na lista sobre “facções terroristas” entregue semana passada a Donald Trump. Para muitos apenas um detalhe, o esquecimento tem nome, sobrenome e até pouco tempo funções públicas. Refiro-me aos ex-deputados estaduais Rodrigo Bacellar e TH Jóias, ambos aliados políticos de Flávio Bolsonaro e presos por envolvimento direto com o Comando Vermelho.

São os milicianos que exorbitam, invadem residências e expulsam moradores, matam aqueles que desobedecem a suas ordens, cobram taxas de circulação a moradores, se locupletam com policiais corruptos e exigem silêncio da população das comunidades que comandam. Entretanto, só os integrantes do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho são terroristas. É a mesma coisa que culpar Napoleão por ter pintado seu cavalo de branco, Deus por ter permitido ao porco ter um rabo de saca-rolha e o homem comum por aceitar que o pé de vento use sapatão.

No melhor estilo das torcidas organizadas, os simpatizantes da extrema-direita estão convictos de que o senador que é amigo da rapaziada do mal é o melhor para o Brasil de 2026. Do alto de minha ignorância política, me acho no direito de adaptar para nossos dias uma afirmação de Winston Churchill, ex-primeiro-ministro do Reino Unido. Churchill falou em Hitler, mas eu prefiro atualizar os personagens e digo que caso Ciro Gomes ou Sérgio Moro invadissem o inferno, eu seria capaz de fazer uma referência favorável ao Diabo no Congresso Nacional infestado pelos filhotes de Satanás de rabo. Para mim, nada melhor do que a certeza de que o pior já passou.

Eis a razão pela qual, como fanático torcedor do Brasil, peço a Deus para que Ele não deixe o pior voltar. Prefiro apostar todos os meus sentidos no hexacampeonato da Seleção Brasileira a dar um espirro na direção contrária ao que começamos a viver em 2022. Também acho que ainda estamos longe do ideal, mas comungo da preocupação de um famoso colunista brasileiro, para quem não há hipótese de aceitar Flávio Bolsonaro presidente da República, Eduardo Bolsonaro ministro das Relações Exteriores, Ciro Nogueira ministro da Economia e Romeu Zema titular da pasta da Justiça. A se confirmar essas anomalias, o melhor é se esconder nos Estados Unidos da Venezuela, antes que o Brasil vire República Federativa dos Bolsonaro.

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