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Cada pedaço

Fragmentos

Publicado

Autor/Imagem:
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

Cada pedaço da minha história tem um significado especial.
Ser feliz não é sair por aí sorrindo sem motivo,
nem dançar despreocupada ao sol, nem pular as ondas olhando o céu estrelado.
É enfrentar as sombras no caminho e, mesmo assim, colher o brilho escondido.
É recolher os pedaços da alma quando a vida os despedaçar.

É abraçar as próprias cicatrizes e, com elas, renascer como uma flor na primavera.
É caminhar sobre pedras que causam feridas, sem medo de sangrar novamente.
É descobrir as ruínas na pele e, ainda assim, encontrar motivos para reconstruir.

Ser feliz é gritar ao vento quando o medo sussurra em seus ouvidos o terror.
É erguer o rosto, mesmo com lágrimas escorrendo, e decidir que ainda existem caminhos.
É encontrar primavera no inverno, plantar na noite um jardim nas sombras da alma.

Acreditar que é possível prosseguir.
Segurar o mais denso ar quando o solo parecer não existir.
É elevar as mãos aos céus e agradecer por estar respirando.

Ser feliz é insistir em escrever o que se deseja apagar,
é acender a chama do amor no coração mais endurecido,
é recusar ser apenas um sofredor e transformar a dor em canção.

Ser feliz é entender que a história não termina,
apenas faz uma pausa, como um ponto e vírgula.
É compreender que o amor é uma ponte sem fim,
e que a luz mais brilhante pode acender-se nas paredes da alma mais sombria.

Ser feliz é escolher abraçar a vida com amor,
sem pensar que tudo a convida a deixá-la ir.
É preciso abraçar a ferida mais profunda e transformá-la na mais bela poesia.

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