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O Lado B da Literatura

O gênio gaúcho que viveu depressa demais

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Autor/Imagem:
Cassiano Condé - Foto Divulgação

Imagine perder o pai na infância, estudar com os maiores nomes da literatura nacional, fundar o primeiro grande jornal literário do seu estado, virar deputado e morrer antes de completar 32 anos. Essa é a história real, intensa e infelizmente esquecida de Félix Xavier da Cunha, o nosso homenageado de hoje na série O Lado B da Literatura.

Nascido em Porto Alegre no dia 16 de setembro de 1833, Félix parecia ter pressa para viver. Filho do brigadeiro Francisco Xavier da Cunha — militar que morreu combatendo os farroupilhas quando o escritor tinha apenas 6 anos —, o jovem Félix buscou nos livros o seu próprio campo de batalha.

Ainda adolescente, Félix mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar no famoso Colégio Dom Pedro II. Logo depois, partiu para a Faculdade de Direito de São Paulo. Foi no ambiente acadêmico paulista, cercado por mentes brilhantes da época, que ele descobriu a paixão pelas palavras. Escreveu para diversas revistas estudantis da época, como o Ateneu Paulista e A Propaganda, ensaiando os primeiros passos de sua promissora carreira literária.

Ao se formar em 1854, Félix voltou para Porto Alegre com o diploma de advogado na mala e muitas ideias na cabeça. Casou-se com Josefina Pinto Bandeira (com quem teve o filho Godofredo Xavier da Cunha, que anos mais tarde viraria ministro do Supremo Tribunal Federal) e começou a transformar a cena cultural gaúcha.

Félix foi o criador de O Guaíba, o primeiro periódico dedicado à literatura no Rio Grande do Sul. Ele também comprou o jornal O Mercantil, tornando-se uma das vozes mais respeitadas e influentes da imprensa de sua província.

O talento de Félix não ficou preso às páginas dos jornais. Ele entrou para a política e foi eleito deputado provincial com pouco mais de 20 anos, além de atuar como vereador, juiz municipal e chefe de Polícia. Ao lado de figuras históricas como Manuel Luís Osório e Gaspar Silveira Martins, ele foi o grande responsável por reorganizar o Partido Liberal no estado. Félix defendia suas ideias com unhas e dentes, chegando a dividir o partido após um desentendimento marcante na Câmara dos Deputados.

Porém, a trajetória desse jovem brilhante foi interrompida de forma trágica. No dia 21 de fevereiro de 1865, Félix Xavier da Cunha faleceu em sua cidade natal, vítima de tuberculose — a doença que silenciou grande parte dos escritores de sua geração.

Félix faleceu sem ver seus livros publicados. Toda a sua produção como poeta, romancista e teatrólogo só veio a público após a sua morte. O livro Poesias Completas, por exemplo, só foi lançado em 1933, graças aos esforços de seu filho, para celebrar o centenário de nascimento do autor.

Na época de sua morte, o cronista Aquiles Porto Alegre resumiu bem quem foi o escritor: “Foi na tribuna e na imprensa política o que o seu pai havia sido nos campos de combate: valente, brioso e patriota”.

Hoje, Félix é o patrono da cadeira número 3 da Academia Rio-Grandense de Letras e repousa no Cemitério da Santa Casa de Misericórdia. Embora o grande público o tenha esquecido, sua coragem e pioneirismo continuam vivos na história da literatura e da imprensa brasileira.

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Cassiano Condé, 82, gaúcho, deixou de teclar reportagens nas redações por onde passou. Agora finca os pés nas areias da Praia do Cassino, em Rio Grande, onde extrai pérolas que se transformam em crônicas.

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