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Alagoinha

Presos vereador, esposa e assessor por assassinato de Ezinho Construção

Publicado

Autor/Imagem:
Janaína Costa - Foto Divulgação

A Polícia Civil de Pernambuco prendeu três suspeitos de envolvimento no assassinato do ex-vereador Ezio Galindo Cordeiro, conhecido popularmente como “Ezinho Construção”. As prisões ocorreram no Agreste do estado e integram a fase final do inquérito que apura o homicídio violento do político. Entre os detidos estão uma liderança política local, a sua esposa e um funcionário de confiança, todos investigados por diferentes níveis de participação no crime.

As investigações apontam o vereador Marcos André dos Santos, o “Marcos de Esmeralda”, como o provável mandante do assassinato de seu colega de partido. Os investigadores trabalham com uma motivação estritamente política para o crime de sangue que chocou a região. A principal tese da polícia indica que o acusado planejou a morte da vítima com o objetivo direto de assumir uma cadeira vaga no legislativo municipal.

A operação policial detalhou que a prisão do vereador e de sua esposa, Roseni Patricia de Moraes, não foi motivada por uma atuação física na execução do homicídio. O casal foi detido preventivamente por adotar condutas que prejudicaram sistematicamente o trabalho dos agentes de segurança pública. A Justiça determinou as prisões após relatórios apontarem interferências intencionais que visavam obstruir a elucidação do caso.

O delegado responsável pelas investigações, Walkis Pacheco, explicou publicamente que os cônjuges apresentaram comportamentos suspeitos que colocaram barreiras ao longo de todo o procedimento investigativo. Segundo a autoridade policial, a dupla agiu de forma coordenada para tentar guiar a polícia para pistas falsas. Essas manobras e tentativas de distorcer o foco das autoridades acabaram por acelerar o pedido de prisão preventiva dos suspeitos.

Um dos episódios mais graves de obstrução ocorreu logo após os policiais cumprirem mandados de busca e apreensão na residência dos investigados. Naquela ocasião, o telefone celular de Roseni Patricia sumiu misteriosamente e não foi localizado pela equipe que realizava as buscas no imóvel. A ausência do eletrônico acendeu o primeiro alerta na equipe de investigação sobre uma possível destruição ou ocultação de provas materiais.

Dias após a ação de busca, o casal compareceu a uma delegacia de polícia para registrar um boletim de ocorrência por roubo daquele mesmo aparelho. No entanto, a Polícia Civil realizou diligências minuciosas e não encontrou nenhum tipo de evidência real que comprovasse o suposto assalto. A farsa foi descoberta pelos investigadores, que entenderam o ato como uma estratégia para sumir com mensagens eletrônicas importantes.

A autoridade policial confirmou que o falso roubo de celular tinha a intenção clara de provocar um mascaramento de dados fundamentais para o inquérito. Além dessa falsa comunicação de crime, a polícia identificou outros episódios graves que continuam sob sigilo e em processo de apuração detalhada. Para o delegado, todos esses fatos somados demonstram uma vontade persistente dos investigados em direcionar os rumos do trabalho policial.

Em relação à conduta específica de Roseni, a polícia reforçou que ela não possui nenhuma ligação com a execução dos disparos que tiraram a vida da vítima. A mulher foi indiciada unicamente por dificultar o avanço da justiça por mais de uma vez durante o processo de coleta de provas. Sua conduta ativa para esconder os aparelhos configurou uma clara tentativa de proteger o marido e os demais envolvidos.

O terceiro preso na operação foi Ruben Nelson Alves de Oliveira, assessor apontado como o intermediador técnico entre a ordem de morte e os executores. Testemunhas ouvidas no processo relataram que o funcionário falava abertamente sobre trazer pistoleiros de fora de Pernambuco para realizar o serviço na cidade. A polícia reuniu provas testemunhais e documentais de que ele agenciou o assassino que viajou do Sudeste do país.

O crime ocorreu na manhã de 26 de abril de 2025, quando Ezinho Construção foi abordado em via pública ao sair de seu estabelecimento comercial. O político de 48 anos foi obrigado a descer de sua motocicleta e acabou alvejado por disparos de arma de fogo antes de ser socorrido. O caso agora segue para o Ministério Público, que deve apresentar a denúncia formal contra o trio nos próximos dias.

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