Curta nossa página


Muito além do Plano Piloto

As histórias curiosas por trás dos nomes das cidades

Publicado

Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforado - Foto Divulgação

Quem anda pelas ruas do Distrito Federal muitas vezes não imagina a quantidade de história escondida nas placas de trânsito. As Regiões Administrativas, popularmente conhecidas como cidades-satélites, guardam em seus nomes um verdadeiro túnel do tempo. Essa identidade mistura a língua dos povos indígenas, a herança de antigas fazendas coloniais e as memórias da época da construção de Brasília.

A cidade mais antiga de todas, por exemplo, nasceu muito antes da própria capital federal. Planaltina teve suas origens registradas ainda no século XIX, mais precisamente no ano de 1859. O nome carinhoso é uma homenagem direta à sua localização geográfica privilegiada, já que a região fica situada bem no coração do Planalto Central brasileiro.

Outra localidade que preserva as raízes rurais da região é Sobradinho. O nome curioso foi herdado de uma antiga fazenda que existia naquelas paragens. Na época, a casa-sede da propriedade chamava a atenção de todos por ser a única construção de dois andares — um sobrado — em quilômetros de cerrado.

A influência da natureza local também batizou o Guará. O nome surgiu por causa do Córrego Guará, o curso d’água que corta e abastece a região. Com o tempo, a população passou a associar a cidade também ao lobo-guará, o bicho tímido de pernas longas que é o maior símbolo da fauna do cerrado.

Já a história de Taguatinga viaja ainda mais longe no passado e resgata o idioma tupi. A palavra original designava o “barro branco” ou a “ave de barro branco”, um pássaro típico daquela área. Esse termo já dava nome a uma grande fazenda muito antes de os tratores da NovaCap chegarem para erguer as primeiras estruturas urbanas.

A época da construção de Brasília também deixou marcas profundas, como se vê no Núcleo Bandeirante. Nos anos 1950, o local era conhecido como Cidade Livre, pois os comerciantes podiam se instalar na região sem pagar impostos ou aluguel por três anos. Anos depois, o espaço ganhou o nome atual em homenagem aos desbravadores pioneiros.

O Cruzeiro, por sua vez, carrega uma forte ligação com a fé e o planejamento urbano. Projetado pelo famoso urbanista Lucio Costa, o bairro faz uma referência direta à antiga Cruz do Relógio. Esse monumento era um ponto de encontro histórico onde os operários que construíam a capital se reuniam para celebrar as primeiras missas.

Por fim, o Gama e a Ceilândia mostram como o tempo transforma o mapa. Enquanto o Gama homenageia o fazendeiro português Luís Gama e sua sesmaria do século XVIII, a Ceilândia nasceu em 1971 de uma sigla social. O nome é a junção da CEI (Campanha de Erradicação de Invasões) com a palavra “lândia”, marcando o local criado para abrigar os trabalhadores que ajudaram a levantar o DF.

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.