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Futebol faz escola

Políticos se rendem à força do poder econômico

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Misael Igreja - Foto de Arquivo

No jargão do esporte bretão, também conhecido como futebol, quando o torcedor de uma equipe quer que o adversário perca, a ordem simbólica é dizer que vai secar o oponente. É a arte de torcer contra o rival ou contra qualquer clube que ameace a posição do time do coração no campeonato. Por mais que os extremistas pensem diferente, trata-se de uma brincadeira em que a reciprocidade sempre é verdadeira.

Como proletário classe C e desafeto simbólico do midiático Neymar Junior, lamento profundamente que a política e a Seleção Brasileira não tenham pelo menos um João Fonseca nos representando nos campos dos Estados Unidos, México e Canadá e em um dos 584 assentos do pitoresco Congresso Nacional. Sei que é sonhar demais, mas, como sou daqueles que não desiste nunca, torço para que um dia o hexa seja somente mais um detalhe em nosso cruel e criminoso cenário eleitoral.

Na política da extrema-direita, particularmente no grupelho comandado a mãos de dindin pelos que só pensam ideologicamente, deixar de rezar na cartilha manchada de preconceitos que eles divulgam nas redes sociais significa aderir à revelia à pecha de comunista e, portanto, a cidadão ou cidadã de segunda classe. É o mesmo que rebaixar o antagonista da prateleira de adversário para a cova rasa destinada aos inimigos de ontem, de hoje, de amanhã e de sempre.

Ou seja, ao contrário do futebol, não há possibilidade alguma de reciprocidade. Embora prometa torcer até a última gota de serenidade, não devo meter o bedelho crítico em uma Seleção Brasileira treinada por um estrangeiro sério e competente, mas que, ao bancar a convocação do desagregador e Cai Cai Neymar Junior, se rendeu à força do poder econômico dos patrocinadores do jogador e da Confederação Brasileira de Futebol. Como a política vive o mesmo dilema, deixemos esse custoso e melindroso tema para outra oportunidade.

Tão ou mais espinhoso e fatigante do que o futebol, a atual política brasileira é coisa bem próxima do absurdo. Por razões que a própria razão desconhece, para determinados grupos ela passou a ser feita para eles, para seus benfeitores e não para o povo. Ainda faço parte daqueles que preferem o debate sobre propostas e princípios às vantagens pessoais. É realmente inacreditável imaginar candidaturas de patriotas voltadas exclusivamente para negociar a pátria em troca de um mandato.

Se Deus realmente é brasileiro, o Brasil pode até ser campeão mundial de futebol, mas os vendilhões e seus surrados rosários de soluções rasas, barulhentas e brutais não vencerão. Sabidamente não existem salvadores na política brasileira. O que temos são pessoas com falhas pessoais dispostas a trabalhar pelo povo e pessoas que se apresentam como representantes de Deus unicamente decididas a vender o país por qualquer tostão. Se houver necessidade, elas acabam com o PIX e ainda entregam a pátria em domicílio.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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