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Autonomia nacional

Soberania popular é a voz de um Brasil que ninguém consegue calar

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Autor/Imagem:
Heliodoro Quaresma - Foto de Arquivo

Em uma de suas mais belas posições nacionalistas, Machado de Assis imortalizou a tese de que “A soberania é a coisa mais bela do mundo, com a condição de ser soberania e de ser nacional”. Poderia parar por aqui e teria dito tudo. Todavia, vale lembrar aos esquecidos que soberania é o poder supremo e independente de um Estado para criar leis, governar seu próprio território e tomar decisões sem interferência internas. É ela que garante a autonomia de um país na comunidade internacional. Certo? Certíssimo!

Menos para aqueles que, além das raríssimas terras brasileiras, estão interessados nos bens da nação, notadamente os da Amazônia, e não no bem do nosso povo. Seja à direita, ao centro ou à esquerda, todo cidadão que honra a pátria precisa anunciar aos narcisistas, aos seus interlocutores, financiadores ou aos meros simpatizantes que nossa bandeira e a soberania popular não têm preço. De forma mais objetiva, elas são inegociáveis. Devemos entender e não esquecer jamais que a soberania popular é aquela em que todo poder emana do povo. Ponto final.

Antigo e renomado colega de redação, Mauro Santayana sempre nos dizia que o Brasil precisava escolher entre autonomia e dependência, soberania ou submissão. Na plenitude de seus 94 anos, Santayana certamente está tentando corrigir o tempo do verbo precisar. O Brasil não precisava. O país precisa decidir entre ser o Ás de ouro ou o 2 de paus do mundo globalizado. Por isso, a grande pergunta que temos de responder é simples: Que país queremos ser e que futuro queremos ter como nação.

Considerando que a democracia só corre risco quando a soberania popular começa a claudicar, mais do que escolher santos, salvadores da pátria, mitos ou libertadores, o povo tem a obrigação de se assemelhar a um rei e, mesmo não sendo um, reagir soberanamente àqueles que vivem para dominar e transformar em súditos sem voz os que, em lugar de lutar pela pátria amada, idolatrada, preferem deitar em berço esplêndido.

Diante da emotiva e sensacionalista apresentação das pré-candidaturas presidenciais, vejo a soberania do Brasil como algo descartável e, o que é pior, posto à venda em qualquer feira de troca. Por isso, meu modo prático de avaliar a política polarizada é ainda mais simplório. Se nossa soberania depende do resultado das urnas em 3 de outubro, então é chegada a hora de usar o silêncio, a cumplicidade e o isolamento das urnas para rejeitar o que pregam os vendilhões.

A principal magia de escrever é a soberania da interpretação de quem lê. Obviamente que tenho lado, mas não busco apenas ser simpático à esquerda e antipático à direita. O que deve ser posto em mesa são as propostas, a qualidade e a capacidade de quem se propõe a trabalhar pela soberania nacional. Fora disso, tudo é confete, serpentina e pouco axé. O que quero dizer é que, como patriota, não desejo ver o Brasil como coadjuvante no cenário global. O Brasil tem voz que ecoa no mundo. A voz do Brasil nenhum presidente conseguirá calar. Portanto, tentar mudar o que está posto é pura traição.

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Heliodoro Quaresma, jornalista aposentado, mantém uma velha Remington como troféu na estante da sala e usa um Notebook para escrever artigos pontuais para Notibras

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