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Fortaleza

Justiça nega prisão de homem que confessou matar companheira

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Autor/Imagem:
Bartô Granja, Edição - Foto Divulgação

O Poder Judiciário do Ceará rejeitou o pedido de prisão preventiva contra o homem suspeito de assassinar a manicure Thamires Moura Pinheiro, de 36 anos. O crime ocorreu no Bairro Sapiranga, em Fortaleza, onde a vítima foi ocultada debaixo da cama do casal. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social confirmou que o investigado recebeu o benefício da liberdade provisória.

A Polícia Civil do Estado do Ceará chegou a representar pela prisão do indivíduo logo após o início das apurações do homicídio. No entanto, o magistrado responsável pelo caso indeferiu o mandado e optou por aplicar apenas medidas cautelares alternativas. As investigações sobre as circunstâncias do feminicídio continuam sob a responsabilidade da 2ª Delegacia de Defesa da Mulher da capital.

O cadáver da manicure foi localizado pelas autoridades policiais na última segunda-feira, dentro da residência onde o casal morava. O próprio companheiro compareceu de forma espontânea a uma delegacia de polícia para relatar que havia matado a mulher dois dias antes. Como ainda não havia um inquérito formalizado ou situação de flagrante, os agentes colheram o depoimento e liberaram o suspeito.

Os familiares de Thamires relataram que o último contato telefônico ou presencial com a profissional de beleza aconteceu na sexta-feira anterior ao crime. O sumiço temporário durante o final de semana não levantou suspeitas imediatas entre os parentes da vítima. O sumiço era considerado comum porque a manicure costumava passar os dias de folga de forma reservada.

A investigação aponta que, logo após cometer o assassinato no sábado, o homem enrolou o corpo da companheira em um lençol. O investigado escondeu o cadáver debaixo do móvel e permaneceu no imóvel durante todo o restante do fim de semana. Na residência também estava o filho caçula da manicure, uma criança de dois anos que não percebeu a situação.

Antes de comparecer à unidade policial para confessar o ato, o homem levou o menino até a residência de um familiar de Thamires. Ao ser questionado sobre a ausência da companheira, o suspeito mentiu e afirmou textualmente que a mulher reapareceria mais tarde. A família só descobriu a morte no fim do dia, após receber o comunicado oficial sobre a confissão na delegacia.

A decisão judicial que manteve o agressor em liberdade gerou um clima de forte pânico e insegurança entre os integrantes da família. Testemunhas relataram que o homem foi visto recentemente circulando de madrugada pelas ruas do bairro Sapiranga, perto de onde moram os parentes. Por conta das ameaças veladas, alguns familiares deixaram de ir ao trabalho e permanecem trancados em casa.

Thamires Moura Pinheiro exercia a profissão de manicure, trabalhava desde a juventude e era descrita pelos amigos como uma pessoa alegre e muito comunicativa. Ela deixou quatro filhos, sendo o mais jovem o menino de dois anos, fruto de um relacionamento anterior. A vítima mantinha uma rotina de visitas diárias aos parentes que residiam na mesma região de Fortaleza.

O sepultamento da profissional ocorreu na última terça-feira, no município de Barreira, localizado na região do interior do estado do Ceará. O caso gerou grande comoção nas redes sociais, onde amigos e conhecidos postaram mensagens de luto e indignação com a violência. As postagens cobravam respostas firmes do sistema de justiça criminal contra o avanço do feminicídio.

O protesto virtual dos familiares ressaltou que a violência contra a mulher não pode ser tratada ou justificada como um crime passional. A mobilização popular exige punição rigorosa para o autor confesso e maior amparo do Estado para os filhos órfãos. O inquérito policial segue em andamento para reunir novas provas que possam reverter a decisão que negou a prisão.

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