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Poemando

Viagem a Portuínas

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Autor/Imagem:
Gilberto Motta - Texto e foto

[…] vestir de novo a velha roupa que impensados gestos repetidos moldaram costumes e graças desaguados nessa forma pálida de ser e entrar nos dias compridos esticados ao poente buscando olhara paleta das cores naquele infinito céu quase noite fixando no quintal da memória a linguagem e os traços dos deuses e enchê-lo de metafísica vibração de luz e de laços de vultos e velas como as cenas cravadas em velhas fotografias observadas no antigo álbum encontrado no sótão da casa de madeira do pequeno ítio pé de serra nas manhãs de chuva com os oljos cansados e já meio cegos mas outra vez lavados e mais uma vez ressuscitados ao contemplarem a pura branca porcelana do café servido sobre a mesa da cozinha eterna com a toalha esculpida em crochê capaz de preencher o vazio que ecoa a misteriosa voz que canta e habita a casa repleta de signos pistas marcas códigos e labirintos a serem decifrados embora a ess altura dos fatos nem as fotos me contentem e nunca mais me completem e no entanto formulam cânticos lentos chorados reinventados ao longo dos dias lentos nos decorrer dos quais só me resta desejar dizer-te dos pequenos encontros e desencontros e dos gestos íntimos jamais revelados no passar do tempo no correr dos dias trombadas de anos e começos e fins até chegar a barca do mestre Creonte e levar a gente hipnotizados para aquele continente oculto na neblina de nome inventado PORTUÍNAS como a saltar de ilha em ilha num oceano desconhecido de um outro tempo e espaço pós-tudo seguiremos ouvindo apenas o som mágico de uma vez de Sol e dissonantes acorde em Dó sustenido trinados como que por encanto por tua voz em falsete de braços dados com o solo de um velho clássico e solitário clarinete […]

*PORTUÍNAS é uma palavra inventada por minha filha, Sofia, aos quatro na infância; criou para dar nome ao país (como o de Alice) que ela inventou e no qual construiu comigo infinitos castelos de areia.

*Caros leitores/leitoras: leiam em voz alta, reescrevem e me enviem com suas reflexões. Gratíssimo.

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Gilberto Motta é escritor, jornalista/pesquisador de sons, palavras e textos que “cantam” suas melodias por si só, sem necessitar de pontuação. Vive na Guarda do Embaú-SC.

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