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Joia baiana

O ‘Meu rei’, responsável por majestades políticas

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Autor/Imagem:
José Seabra - Foto Marta Nobre/IA

Conheço poucos homens capazes de caminhar por Brasília como quem passeia pelo próprio quintal da infância. E conheço menos ainda aqueles que conseguem atravessar décadas, governos, crises, paixões partidárias e tempestades ideológicas sem perder a elegância, a lucidez e, sobretudo, os amigos. O amigo, aqui sujeito oculto, que dispensa apresentações, é um desses raros exemplares.

Quando chegou à capital, ainda trazia na alma o tempero da Bahia e nos olhos o brilho dos que sabem que o destino não costuma abrir portas para quem fica esperando sentado. Brasília ainda era jovem, no período em que o velho Diário de Brasília pulsava como um coração jornalístico no meio da cidade que aprendia a respirar política. E era ali, nas escadas daquele prédio, voltadas para a W-2 Sul, que ele aguardava oportunidades. Não as esperava passivamente, mas preparava-se para elas.

Enquanto muitos procuravam atalhos, ele colecionava conhecimento. Enquanto outros buscavam padrinhos, ele acumulava credibilidade. Com isso o tempo passou. E rápido.

Aquele rapaz que observava o entra e sai dos jornalistas tornou-se ele próprio uma referência. Aprendeu a linguagem das redações, o silêncio dos bastidores e a matemática invisível das campanhas eleitorais. Descobriu que política não se faz apenas com discursos, mas também com escuta. E que comunicação não é apenas falar; é entender.

Talvez por isso transite com naturalidade por corredores onde adversários se cumprimentam apenas por obrigação. Ele conversa com todos, escuta todos e continua sendo recebido por todos. Não porque concorde com todos, mas porque aprendeu cedo que respeito e diálogo são moedas cada vez mais raras na praça pública.

Ao longo dos anos, vi muita gente surgir em Brasília anunciando-se como fenômeno. Tratavam-se, porém, de meras estrelas cadentes que brilharam por instantes e desapareceram antes do amanhecer. Ele, contudo, permaneceu, porque construiu pontes onde outros preferiram erguer muros, porque entendeu que reputação não se compra; constrói-se; e, por fim, porque nunca confundiu notoriedade com importância.

Hoje, quando observo os movimentos que antecedem mais uma eleição decisiva para o Distrito Federal, não tenho dúvidas de que muitas estratégias, muitas conversas e muitos entendimentos passam, direta ou indiretamente, por suas mãos. Não por imposição ou vaidade; apenas porque há pessoas que se transformam em pontos de convergência.

E como ele é uma delas, é natural que isso incomode, como sempre incomodou. Tudo porque os que não compreendem o valor da experiência, costumam atacá-la, e por desconhecerem a história, acreditam que podem reescrevê-la aos gritos. É o caso dos que confundem jornalismo com panfleto, imaginando que a agressão substitui o talento. Isso é algo que nunca substituiu, não substitui e jamais substituirá.

Quando vejo certos ataques, lembro-me dos versos de um gaúcho sobre os pobres moços. Eles ainda não sabem, mas um dia aprenderão que o tempo é o mais severo dos professores. É gente que gostaria de conhecer os atalhos da vida, mas ignora que não existem atalhos, apenas estradas. E estrada se percorre com trabalho, coragem, inteligência e memória.

Por isso sorrio quando escuto o barulho dos críticos ocasionais. Eles vêm e vão, trocando de bandeira, de discurso e de convicções com a velocidade das nuvens de agosto sobre o Planalto Central. Enquanto isso meu amigo continua ali, firme, sereno, observando, planejando, construindo.

Porque, no fim das contas, a história costuma reservar um lugar especial para aqueles que ajudam a escrevê-la. E enquanto alguns gastam energia latindo para a paisagem, a vida segue seu curso natural. Como diz o velho provérbio, os cães ladram, mas a caravana passa. E como fiz referência a um compositor gaúcho, dou uma esticada até a Terra de Iracema, para lembrar que ‘Meu rei’, já com cabelos prateados, merece, sim, viver prazerosamente como um peixe que mergulha nas borbulhas do amor.

Quanto aos jovens, lhes falta veracidade.

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José Seabra é CEO fundador de Notibras

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