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Hospital Anchieta

Concluídos interrogatórios de técnicos e juiz decide sobre júri

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Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforado - Foto Divulgação

A Justiça do Distrito Federal concluiu nesta segunda-feira (8) a primeira fase do julgamento de três técnicos de enfermagem acusados de envolvimento na morte de três pacientes. Os crimes teriam ocorrido dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, uma instituição de saúde particular localizada na região administrativa de Taguatinga.

Os réus Marcos Vinicius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva foram interrogados na tarde de hoje. A audiência encerrou uma intensa maratona de quatro dias de trabalhos no tribunal, dedicados exclusivamente à coleta de depoimentos e à análise inicial das alegações apresentadas no processo.

Ao longo das sessões, o tribunal ouviu um total de 26 testemunhas intimadas para prestar esclarecimentos sobre a rotina hospitalar e os óbitos. O grupo de depoentes foi composto por familiares das vítimas, médicos e enfermeiros da unidade de saúde, além de peritos técnicos e os investigadores responsáveis por conduzir o inquérito policial.

Com a finalização desta etapa, o juiz titular do Tribunal do Júri de Taguatinga, João Marcos Guimarães Silva, abriu o prazo legal para sua manifestação. O magistrado possui agora até dez dias corridos para analisar o robusto conjunto de depoimentos, laudos periciais e provas técnicas coletadas antes de definir os rumos processuais dos acusados.

Nesta fase específica do rito jurídico, cabe ao juiz avaliar detalhadamente se existem indícios suficientes de autoria e materialidade delitiva. Caso o magistrado entenda que as evidências são bastantes, ele emitirá a chamada sentença de pronúncia, o que significa que os técnicos de enfermagem serão formalmente levados a julgamento por um júri popular.

Por outro lado, se o juiz João Marcos Guimarães Silva concluir que os elementos anexados aos autos são insuficientes para a acusação, a decisão será de impronúncia. Esse despacho extingue o andamento atual do processo sem avaliar o mérito das mortes, liberando os profissionais da acusação dolosa imediata formulada na denúncia inicial.

A definição do magistrado, no entanto, não representará o esgotamento definitivo das discussões jurídicas na primeira instância do Distrito Federal. Independentemente do teor do veredito a ser publicado nos próximos dias, tanto os promotores de Justiça do Ministério Público quanto os advogados de defesa dos réus poderão apresentar recursos.

Os três técnicos de enfermagem apontados como responsáveis pelos crimes estão sob custódia do sistema prisional desde o início do mês de janeiro. Posteriormente, em março, o Tribunal do Júri decretou a conversão da medida em prisão preventiva, fazendo com que Marcos Vinicius, Amanda e Marcela sigam detidos por tempo indeterminado.

Os profissionais de saúde respondem formalmente pelo homicídio qualificado de três pessoas que estavam sob seus cuidados diretos no ambiente hospitalar. As vítimas fatais da ação criminosa foram identificadas pelas autoridades como João Clemente Pereira, de 63 anos; Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos; e o jovem Marcos Moreira, de 33 anos.

Logo após o encerramento da rodada de interrogatórios nesta segunda-feira, as defesas dos acusados apresentaram argumentos divergentes e buscaram individualizar as condutas. O advogado de Marcos Vinicius sustentou publicamente que o técnico agiu de forma estritamente isolada no ambiente de trabalho, sem qualquer tipo de participação ou cumplicidade das outras duas técnicas corrés.

A linha defensiva adotada pela equipe de Amanda Rodrigues caminhou no sentido de rejeitar integralmente as imputações do inquérito, alegando que a profissional é totalmente inocente. Enquanto isso, o Ministério Público rebateu as versões individuais e manteve a convicção de que os três réus atuaram de maneira coordenada para provocar os óbitos na UTI.

O promotor Bernardo Resende sublinhou que a tentativa de transferir a culpa exclusiva a apenas um dos envolvidos é uma tática comum e previsível em julgamentos dessa natureza. O representante da acusação asseverou que o conjunto probatório demonstra, de forma absoluta, que o trio agiu em unanimidade com o objetivo deliberado de tirar a vida dos pacientes indefesos.

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