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Direito de repousar

A sociedade do cansaço e as pessoas que não podem parar

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Autor/Imagem:
Emanuelle Nascimento - Foto Francisco Filipino

Existe uma diferença brutal entre estar cansado e ter o direito de descansar.

Algumas pessoas conseguem transformar o cansaço em pausa, viagem ou autocuidado. Outras transformam o cansaço em continuação, porque simplesmente não podem parar. O capitalismo contemporâneo romantizou a exaustão como sinal de esforço, competência e ambição. Trabalhar demais virou mérito moral.

Byung-Chul Han argumenta que deixamos de viver em uma sociedade disciplinar para viver em uma sociedade do desempenho. Antes, o sujeito era explorado por forças externas; hoje ele explora a si mesmo acreditando estar apenas “buscando crescimento”.

Talvez por isso tanta gente esteja emocionalmente quebrada enquanto posta frases motivacionais às sete da manhã.

Há pessoas que não estão vivendo estão apenas administrando urgências. E isso muda tudo: a forma como amam, descansam, comem, dormem e até sonham.

O problema é que o mundo continua exigindo produtividade de pessoas que já estão sobrevivendo acima do próprio limite.

E talvez uma das discussões mais urgentes do nosso tempo seja exatamente essa: quem tem direito ao descanso?

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