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Amor e economia

O capitalismo também organiza nossos afetos

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Autor/Imagem:
Emanuelle Nascimento - Foto Francisco Filipino

As pessoas costumam imaginar que amor e economia pertencem a mundos diferentes. Mas talvez poucas coisas sejam tão atravessadas pelo capitalismo quanto os afetos.

Eva Illouz demonstra como o amor moderno foi reorganizado pela lógica do consumo, da performance e da escolha infinita. As relações passaram a funcionar quase como mercados emocionais.

As pessoas avaliam umas às outras como possibilidades. Calculam riscos afetivos, administram disponibilidade emocional e tentam parecer interessantes o suficiente sem demonstrar vulnerabilidade demais.

O resultado é uma geração inteira emocionalmente cansada.

Queremos amor, mas temos medo da dependência. Queremos conexão, mas fomos treinados para a autossuficiência extrema. Queremos ser escolhidos, mas fingimos que não nos importamos.

Talvez o problema não seja a incapacidade de amar.

Talvez seja viver em uma sociedade que transformou até os sentimentos em lógica de desempenho.

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