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Faxina eleitoral

Eleitor deve iniciar mudança política negando mandatos aos Judas

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Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Um dos 12 apóstolos, Judas Iscariotes, de acordo com os evangelistas canônicos, veio a ser o traidor que entregou Jesus aos seus captores por 30 moedas de prata. Descoberto, ele entrou em desespero e enforcou-se. Uma pena que não podemos esperar o mesmo dos traidores da pátria, a maioria estabelecida nos 584 assentos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, ambas consideradas casas do povo. Nunca foram para a massa que vota, mas sempre serão no papel e no discurso eleitoreiro que os transformam em excelências.

A diferença entre Judas e os fariseus com mandato é que o primeiro traiu somente a Cristo, enquanto os chamados homens públicos literal e quadrienalmente traem mais de 200 milhões de brasileiros. São iguais a Judas, embora nenhum deles tenha a humildade de também se enforcar quando são pegos com a boca na botija. A norma dos senhores do voto é recorrente: passada a eleição, eles transformam o que é do povo em recinto exclusivo da malandragem positiva, operante e louca pelo dinheiro público, apelidado metaforicamente de emenda parlamentar.

Pois bem, estamos a menos de quatro meses de mais uma eleição geral, aquela em que os eleitores aptos a votar se reúnem para renovar os mandatos do presidente da República, dos 27 governadores, dos 513 deputados federais, 54 dos 81 senadores e 1.083 parlamentares estaduais e distritais. Portanto, esse é o momento ideal para que os cerca de 160 milhões de eleitores se unam em torno de uma faxina completa no Congresso Nacional e nas assembleias legislativas e Câmara Distrital do DF.

No dicionário, uma faxina política expressa o desejo popular por transparência, renovação e combate à corrupção. Poeticamente, poderia dizer que faxinar redutos corruptos é sinônimo de esterilizar o sistema, de modo que eles não voltem a se proliferar. Na prática, a sugerida limpeza tem por objetivo remover e afastar os que usam a máquina pública em benefício próprio. A verdadeira faxina se faz com a conscientização do eleitor no momento do voto.

No português do nosso dia a dia, a mudança começa na limpeza do nosso próprio voto. Como um dos brasileiros que diariamente condena a política como balcão de negócios, sugiro que, no dia 3 de outubro, usemos o detergente da ética para lavar e purificar a gestão pública do Brasil. Não é de hoje que o país exige uma limpeza profunda. É bom que se diga que limpar as casas do povo não é apenas esconder a sujeira debaixo do tapete.  Ainda que velada, a ordem é jogar fora o que não serve mais.

Reiterando que a limpeza deve começar por nós, eleitores, lembro, mais uma vez, que a recorrente sujeira da política brasileira nos deixa sem esperanças para o futuro. Por isso, precisamos nos conscientizar de que, se não fizermos nada, a situação jamais se modificará. O mais importante é nos convencermos de que a política se faz com a construção do que nos une e não com as diferenças que nos afastam. Mudar é fundamental, desde que seja para melhor.

Não à toa deixei por último a Presidência da República. Eu não tenho político de estimação e defendo a alternância de poder. Até que surja alguém melhor do que o que temos, minha discordância é somente pontual. Mexer no que está funcionando para agradar a grupos em detrimento da coletividade é apostar no mundo do faz de conta. Resumindo, é verdade que quem está no poder pode não encantar. O problema é que, pela absoluta falta de experiência com a coisa pública, aquele que pensa em alcançá-lo provavelmente nos desencantará com a rapidez de um raio?

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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