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Michelle candidata?

PL observa guerra entre PP e MDB e pode refazer o jogo da disputa para o Buriti

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Autor/Imagem:
Pimenta Filho - Foto de Arquivo

Enquanto PP e MDB travam uma silenciosa, mas cada vez mais evidente disputa pela hegemonia política do Distrito Federal, o Partido Liberal (PL) acompanha os acontecimentos sem pressa e com a tranquilidade de quem sabe possuir algumas das peças mais valiosas do tabuleiro eleitoral de 2026.

A legenda comandada na capital da República pela deputada federal Bia Kicis e que tem na ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro seu principal ativo eleitoral, observa de camarote o embate entre os grupos da governadora Celina Leão (PP) e do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), ambos interessados em manter a liderança do campo conservador na capital da República.

Até aqui, o caminho parecia pavimentado. O PL vinha sinalizando apoio à reeleição de Celina Leão, enquanto trabalhava a construção de uma chapa para o Senado composta por Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, projeto que ganhou força nos últimos meses e passou a ser tratado como prioridade pela cúpula nacional da legenda. Nos bastidores, porém, o cenário já não é visto com a mesma tranquilidade.

Setores considerados “bolsonaristas-raiz” demonstram desconforto com a possibilidade de a governadora compor sua chapa majoritária com o presidente da Câmara Legislativa, deputado Wellington Luiz (MDB), hipótese que vem circulando nos meios políticos de Brasília. Embora o assunto não tenha sido oficialmente confirmado, interlocutores do PL admitem que uma eventual escolha nessa direção poderia provocar uma profunda revisão da estratégia eleitoral do partido.

A avaliação é simples: se o MDB ampliar seu espaço dentro da chapa governista, o PL perderia protagonismo justamente no momento em que Michelle Bolsonaro desponta como uma das lideranças mais populares da direita nacional.

Nesse contexto, começa a ganhar corpo uma alternativa considerada impensável poucos meses atrás. Dirigentes e articuladores próximos ao partido não descartam um reposicionamento que leve o PL a abandonar a condição de aliado preferencial do Palácio do Buriti e construir um projeto próprio para o Governo do Distrito Federal.

Nesse desenho, Michelle Bolsonaro surgiria como candidata ao Buriti, tendo como vice um nome oriundo do Solidariedade, legenda que mantém diálogo aberto com o campo conservador e que poderia oferecer capilaridade política à composição.

A eventual candidatura da ex-primeira-dama transformaria completamente o cenário eleitoral. Além de reunir o eleitorado bolsonarista mais fiel, Michelle teria potencial para atrair setores conservadores hoje divididos entre Celina Leão, Ibaneis Rocha e outras lideranças da direita local.

Curiosamente, a mudança não significaria rompimento com o ex-governador. Pelo contrário, afirmam analistas políticos, observando que, em uma engenharia política cada vez mais comentada nos bastidores, o PL poderia apoiar a candidatura de Ibaneis Rocha ao Senado, formando uma chapa com Bia Kicis para disputar as duas vagas em jogo. O arranjo permitiria ao MDB preservar espaço na disputa majoritária e ao PL concentrar forças na corrida pelo Governo do Distrito Federal.

O movimento dependerá, naturalmente, da evolução da relação entre PP e MDB nos próximos 45 dias. Quanto mais aumentar a disputa por espaços entre Celina Leão e Ibaneis Rocha, maiores serão as chances de o PL abandonar a posição de espectador e entrar definitivamente em campo como protagonista.

Por enquanto, Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e a direção liberal mantêm silêncio público sobre o tema. Nos bastidores, entretanto, ninguém descarta mudanças de rota. O que se ouve em salas fechadas, porém, é que em uma eleição marcada por alianças frágeis, interesses cruzados e lideranças competitivas, o partido parece disposto a esperar o momento exato para decidir se continuará apoiando o Buriti ou se passará a disputar o endereço mais cobiçado da política brasiliense.

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