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Fragmentos

Histórias num olhar

Publicado

Autor/Imagem:
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

Às vezes me pego colecionando olhares. Não os guardo em fotografias, mas na memória como quem recolhe pequenos fragmentos de vida.

Há olhares que me atravessam sem pedir licença. O da moça no café, que parecia carregar uma saudade antiga. O do senhor na praça, que tinha a serenidade de quem já viu o tempo passar tantas vezes. E aquele olhar rápido, quase tímido, que me fez acreditar que ainda há encontros capazes de mudar o rumo de um dia.

Um olhar é como uma confidência silenciosa. Ele revela medos, esperanças, segredos. É uma narrativa que não precisa de palavras, mas que exige atenção. E eu gosto de acreditar que, quando cruzamos olhos com alguém, estamos lendo capítulos que jamais serão escritos em papel.

Talvez seja por isso que, quando penso nas histórias que cabem num olhar, sinto que o mundo inteiro se resume a esse instante breve e que, se soubermos enxergar, podemos descobrir universos inteiros escondidos em cada pessoa.

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