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Jogo maquiavélico

Desejo pelo poder é caro e já custou a liberdade de fracos reis

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Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto de Arquivo

Ter ou não ter poder, eis a questão! Na verdade, onde está o tesão, considerando que, com relativa frequência, ele é perigoso, pois atrai os piores e corrompe os melhores? Qualquer um pode almejá-lo. No entanto, o ideal é que, como ser humano, o homem nunca deveria aceitar uma posição de responsabilidade se ele não tem autoridade suficiente para conduzir sua gestão ao respeito e não ao medo. É essa a diferença entre um governante moderado e democrata e um autoritário, exclusivista e adorador das vantagens e os lucros oferecidos aos poderosos.

Toda função de comando exige que o comandante use o poder com autoridade para alcançar o respeito. Infelizmente, há os que preferem usar o poder com autoritarismo. Normalmente, esses produzem o medo, mas, em contrapartida, duram pouco. Os exemplos são diversos e bem recentes. Nominá-los é dar-lhes um cartaz que eles não merecem. A síntese desses tipos é simples como a soma de 2 mais 2 e clara como a verve de Maquiavel: “O poder não muda o homem, mas revela até onde ele iria para mantê-lo”.

Embora fora de cartaz há quase quatro anos, o filme roteirizado há cinco séculos por Maquiavel ainda está bem vivo na memória de pelo menos dois terços da população brasileira. O outro terço – talvez um pouco mais – ajudou o protagonista a tentar se perpetuar no comando de um país que não quebrou por obra e graça do Deus que sempre esteve acima de tudo e de todos, inclusive e principalmente da figura que embasa esta narrativa. Graças ao Pai, seu poder foi efêmero.

A ascensão e queda são normais no reino do poder, no qual nada é estável, nem mesmo os amigos, os aliados ou os seguidores fanáticos. Para os mais sábios, o poder só é dado àqueles que estão dispostos a se rebaixar para pegá-lo. Engana-se quem acha que se rebaixar é coisa menor ou algo inerente a quem não serve para nada. Pelo contrário. No contexto, o verbo significa humildade e controle para esperar sua vez, sem golpismos ou qualquer outra forma de ameaça. Está na Bíblia que violência não é força, mas fraqueza. A coação, a brutalidade, agressividade e a bestialidade jamais poderão ser criadoras de coisa alguma.

Elas apenas destroem. No modo menos egocêntrico de ser, tem poder quem age, e mais poder ainda quem age certo. Assim como a vida, o poder não passa de um jogo em que todas as respostas estão à disposição. O poderoso ou candidato a poderoso só precisa encontrar as perguntas certas para vencer. Um dos temas mais debatidos por líderes, filósofos e pensadores, o poder pode ser definido como a capacidade de influenciar, transformar ou impor uma vontade.

Na minha lista de falseadores do poder estão os políticos mais rasteiros, a maioria estabelecida nos gabinetes da Câmara e do Senado. Eleitos com o poder do povo, eles desaparecem como poeira tão logo assumem o mandato. Pior são aqueles que jogam contra o povo. Entre esses, os destaques são, entre outros, os senadores Romário (PL-RJ), Cleitinho (Republicanos-MG) e Zequinha Marinho (Podemos-PA), contrários à escala 6×1.

Certamente eles fazem parte daquele terço coadjuvante do líder que se tornou fraco por tentar ser forte demais. Tentou tanto que sua biografia está manchada de A a Z. A de seus aliados denominados raiz não passam de traços enviesados em uma folha de papel. Obcecados pela mentira, eles morrem de medo da permanência de um líder forte no comando da nação. Para aquele fraco rei, o preço pago pelo desejo incontido, sórdido e imoral de poder foi alto demais. Tão alto que a ânsia de desejar o poder o fez perder a liberdade.

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