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Coragem política

Nada é tão brasileiro como o sonho de eleger quem une o povo

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Composto majoritariamente por pessoas que aceitam ser lideradas, mas não dominadas como gado ou ovelhas desgarradas, e por seres que adoram ser comandados e amam ser corrompidos, o Brasil do século 21 ainda não se achou politicamente. Por exemplo, uns se fixam nas mentiras de outros e, por inoperância de suas próprias ideias, acham que têm a obrigação de acompanhar as mentiras até que o mentiroso seja definitivamente excluído da vida pública. Esses não percebem que não há mal nenhum em mudar de opinião.

Muito pelo contrário. Contanto que seja para melhor, mudar é obedecer à razão. Insistir no erro talvez seja uma questão de orgulho, considerando que o orgulhoso prefere se perder a perguntar qual o melhor caminho a seguir. Parafraseando Winston Churchill, o sempre citado ex-primeiro-ministro do Reino Unido, melhor lutar por algo do que viver para nada. Ainda segundo Churchill, a coragem política é a primeira das qualidades humanas, porque é a que garante as demais.

Será que é ela que está faltando aos brasileiros no momento de votar conscientemente para presidente da República? A resposta é negativa se for feita somente àqueles para os quais o melhor governo é o que ensina o povo a se governar sozinho. Provavelmente dirão sim os que não vivem para servir e, portanto, na linguagem dos poetas com os pés fincados no chão, não servem para viver. No atual cenário político, a experiência de gestão pode não valer nada para os que se envergonham de evoluir e de aprender.

No entanto, a capacidade cognitiva e a razão administrativa representam 100% para todos os que ultrapassaram a cegueira ideológica e passaram a ter opinião e ideias próprias. Cada um de nós tem somente uma vida e apenas um voto para escolher entre dois, três ou quatro candidatos o que melhor se apresentar coletivamente. Ainda que o mais experiente seja visto como Satanás pelos que se acostumaram a só pensar nos seus, raciocinar e agir para o bem comum pode mudar o mundo.

Graças ao nosso Mestre maior, a sorte do Brasil é que, metaforicamente, o Deus daqueles que se acham superiores envelheceu e o Diabo evoluiu. Heresias à parte, o fato é que, no Brasil de 2026, não há mais espaço para desunião. Apostar em governantes que pressionam pessoas, forçam eleitores e negociam externamente para derrubar adversários não merecem crédito eleitoral. Nada é tão nosso como o sonho de eleger sempre quem é capaz de unir o povo. A união faz a força. Por isso, não é exagero algum se afirmar que pensar só em si e nos seus é o início do desequilíbrio social, funcional e político.

Como mudar de opinião é prerrogativa de quem pensa, esqueça o tenebroso passado que vai logo ali e comece a pensar no que é melhor para o país daqui para frente. Se o seu melhor ainda não é bom o suficiente para alguém, mude de alguém e de opinião. Em certas ocasiões, o homem precisa ser dono do seu próprio destino. Sendo assim, faça uma boa opção em outubro próximo e deixe de ser definitivamente prisioneiro de suas consequências. O preço da preferência errada sempre é muito caro. As eleições de 2018 e de 2022 servem de referências entre a desconfiança e a esperança, entre a verdade e a mentira. Nossa escolha irá dizer para onde iremos.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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