Curta nossa página


Direita latina

Mudança no leme muda rota da venesualização pelo medo do extremismo

Publicado

Autor/Imagem:
Antonio Eustáquio Ribeiro - Foto Reprodução do X

Não que os brasileiros já não tenham vivenciado a destrutiva experiência do extremismo de direita no país. Os absurdos que até então só se concebiam em universos distópicos passaram a ser realidade com o governo Bolsonaro, exemplar milimetricamente acabado do extremismo de direita no Brasil.

Certamente é da memória de todos a guerra contra a cultura, contra a saúde pública, contra uma educação livre e libertadora, contra a liberdade de expressão da sexualidade individual e outras aberrações de quem só concebe o mundo sob suas concepções únicas, em uma ética torta que torna tudo aquilo com o que eu não concordo em uma prática a ser eliminada em busca da padronização de comportamentos dentro do que eu considero o certo.

Assim, a evidência de um delírio coletivo como se viu em fins de 2022 após a derrota do extremismo nas eleições, com orações a pneus e tentativas de contato com extra-terrestres por meio de celulares são perfeitamente compreensíveis dentro da lógica limitada e dura de visão de mundo muito particular de quem se entrega a este delírio.

Porém, do ponto de vista prático, como a extrema direita é intrinsicamente associada ao neoliberalismo mais duro, potencializado pela financeirização e pelo rentismo, o resultado é a piora da vida do conjunto da população. A educação reflui, a saúde caminha para trás, a cultura é demonizada, o desemprego se eleva, os salários são rebaixados e as condições de trabalho desumanizadas, a liberdade se fragiliza e a repressão violenta do Estado se potencializa contra os grupos que lutam contra isto. Por outro lado, uma pequeníssima parcela da população vê crescer de forma substancial seus ganhos de sua acumulação: ricos cada vez mais ricos.

Dito isto, vejamos dois exemplos recentes na América do Sul de opções políticas pelo extremismo de direita, opções altamente impulsionadas por mecanismos alheios à realidade local com o uso de algorítimos que manipulam, por meio de mentiras e meias verdades, sentimentos primitivos e por vezes irracionais como raiva, ódio e preconceito, temperados com um que de cinismo e sadismo.
A Bolivia e o Chile enfrentam pioras consideráveis das condições de vida de suas populações com a introdução de mudanças promovidas por governos ultradireitistas. Nada de novo considerando que este espectro político se assenta em discursos de ódio e medo para vencer eleições, mas no aspecto econômico defendem o que há de pior no neoliberalismo. São políticas de redução drástica de gastos em políticas sociais, educacionais e de apoio a minorias como programas de transferência de renda, ações sempre acobertadas pelo bolorento e vazio discurso da estabilidade fiscal.

A realidade é que nestes dois países a população está nas ruas em defesa de políticas implantadas por governos progressistas anteriores que sabidamente contribuíram para melhorar a vida do conjunto da sociedade. E o que se vê nas respostas governamentais é sempre o mais do mesmo esperado de governos extremistas e autoritários: a repressão desenfreada e a adoção de medidas de restrições à livre manifestação. Não por acaso a Argentina de Milei segue o mesmo roteiro.

A situação na Bolívia é o caso mais grave. Depois de mais de duas décadas de governos progressistas que implementaram políticas de larga aceitação pelas populações mais fragilizadas, com um pequeno interregno após o golpe que derrubou o Evo Morales em 2019, agora, no poder há menos de um ano, o atual presidente o extremista de direita Rodrigo Paz, após drásticas restrições a políticas sociais então existentes, enfrenta manifestações populares sem precedentes contra seu governo, especialmente de grupos indígenas os mais necessitados. E a resposta do governo é a clássica repressão que já deixou mortos e feridos e inúmeros detidos. E, para piorar, o governo está prestes a implantar um estado de sítio, o que provavelmente descambará para mais uma ditadura tão ao estilo dos extremistas de direita.

É necessário que a população do Brasil, principalmente os setores mais esclarecidos, saibam utilizar estes exemplos para clarificar aos eleitores o que pode acontecer no Brasil caso viceje uma candidatura do campo extremista nas eleições de outubro próximo. E são diversas candidaturas que se alinham com esta prática política no Brasil, infelizmente.

…………….

Antonio Eustáquio, correspondente de Notibras na Europa, mantém também olhos e ouvidos voltados para a América do Sul.

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.