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Marina Dutra

O amor começa em você

Publicado

Autor/Imagem:
Marina Dutra - Texto e Foto

Especial Dia dos Namorados

Chega o Dia dos Namorados e, junto com as flores, os presentes e as declarações, também chegam os incômodos silenciosos.

Para alguns, a data é motivo de celebração. Para outros, de comparação. E para muitos, ela funciona como um espelho que revela aquilo que talvez esteja sendo evitado durante o restante do ano.

Há quem esteja sozinho e se pergunte por que os relacionamentos nunca dão certo. Pessoas que mudam os nomes, mudam os rostos, mudam as histórias, mas acabam vivendo o mesmo roteiro. O parceiro muda, mas a dor é parecida. A sensação de rejeição se repete. O abandono se repete. A falta de reciprocidade se repete.

Quando padrões se repetem, vale a pena parar de perguntar apenas “por que isso acontece comigo?” e começar a perguntar “o que essa repetição está tentando me mostrar?”.

Também existem aqueles que estão em relacionamentos que já deixaram de fazer sentido há muito tempo, mas permanecem. Não porque estejam felizes, mas porque acreditam ter investido tempo demais para desistir agora.

É comum ouvir frases como: “Já estou há dez anos nessa relação”, “Já construímos tanta coisa juntos”, “Não posso jogar tudo fora”.

Mas existe uma pergunta importante que poucas pessoas fazem: permanecer infeliz por mais dez anos corrigirá os anos já investidos ou apenas aumentará o prejuízo emocional?

O tempo dedicado a uma relação não deve ser o único critério para mantê-la viva. Relacionamentos saudáveis precisam de presença, crescimento, respeito e reciprocidade.

Existe ainda um terceiro grupo, talvez um dos mais silenciosos. São pessoas que permanecem em relacionamentos aparentemente estáveis, mas que, aos poucos, foram se afastando de si mesmas.

São pessoas que aprenderam a se moldar para agradar. Que escondem opiniões para evitar conflitos. Que abandonam sonhos para não incomodar. Que diminuem seu brilho para não provocar desconforto no outro.

Aos poucos, deixam de ser quem são para se tornarem quem acreditam que precisam ser.

Por trás desse comportamento, muitas vezes existe um medo profundo: o medo do abandono.

E quando o medo de ficar sozinho é maior do que o amor por si mesmo, qualquer relação corre o risco de se transformar em uma prisão emocional.

O amor verdadeiro não exige que você desapareça para que o outro permaneça.

Nenhum relacionamento saudável deveria exigir o sacrifício da sua identidade.

Grande parte da forma como nos relacionamos foi aprendida muito antes do primeiro namoro. Aprendemos observando nossos pais, nossos cuidadores e os vínculos que tivemos na infância.

Sem perceber, carregamos para a vida adulta crenças sobre amor, rejeição, abandono, merecimento e pertencimento.

Por isso, muitas vezes, não escolhemos parceiros apenas por afinidade. Escolhemos pessoas que, de alguma forma, dialogam com nossas feridas ainda não curadas.

É por isso que não atraímos apenas aquilo que desejamos. Frequentemente atraímos aquilo que somos capazes de sustentar emocionalmente.

Se queremos viver relacionamentos mais saudáveis, não basta procurar uma pessoa diferente. Precisamos nos tornar diferentes.

Precisamos desenvolver maturidade emocional, autoestima, limites saudáveis e autoconhecimento.

E é exatamente aí que a terapia se torna uma ferramenta tão importante.

A terapia nos ajuda a enxergar padrões que, sozinhos, muitas vezes não conseguimos perceber. Ajuda a identificar crenças inconscientes, compreender feridas emocionais e fazer escolhas mais alinhadas com aquilo que realmente desejamos viver.

Neste Dia dos Namorados, talvez a questão não seja quem está ao seu lado.

Talvez a questão seja quem você se tornou para não ficar sozinho.

Quantas vezes você silenciou a própria voz, abriu mão dos próprios limites ou deixou de ser quem é para manter alguém por perto?

Porque nenhum amor floresce onde existe abandono de si.

Talvez o maior ato de amor não seja encontrar alguém que fique. E sim, parar de se abandonar para que alguém permaneça.

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Marina Dutra – Terapeuta Integrativa

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