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Eleitor zonzo

Candidato que fala demais dá bom dia a cavalo

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Autor/Imagem:
Misael Igreja - Foto de Arquivo

Definitivamente, aqueles que sabem pouco falam muito e os que sabem muito falam pouco. Vem daí a expressão popular “Quem fala demais dá bom dia a cavalo”. Pior do que isso, o falador perde várias chances de aprender só porque não ouviu. Resumindo o óbvio, uma pessoa que fala muito, que não sabe o que diz, que fala sem pensar, que não escuta ninguém, que passa dos limites e que age por impulso normalmente vai acabar não sendo correspondido pelo outro.

Essa é a regra de uma outra conhecida máxima que deveria ser seguida por todos os políticos, particularmente por aqueles que, por não saberem o que dizem, vivem a reboque de fatos postados por supostos líderes: “Em boca fechada não entra mosca”. Os bocudos adoram replicar o que ouvem, pouco importando que os acontecimentos sejam fakes, torpedos ou apenas fanfarras de quem precisa criar factoides para se manter em evidência:

É o caso de deputados e senadores que permanecem se manifestando a favor do novo tarifaço americano contra o Brasil. Talvez eles ainda não saibam que, por isso e por uma ligação telefônica maldada de um irmãozinho para um irmãozão, o candidato da extrema-direita vem amargando quedas irrecuperáveis nas intenções de votos. Em uma das últimas pesquisas, a diferença entre os dois principais presidenciáveis é superior a 12 pontos favoráveis ao que tem preferido engolir somente cobras e lagartos.

Melhor assim, pois, dessa forma, ele, que aproveitou utilmente as horas do dia, faz jus ao bom sono da noite. Quanto aos senhores e senhoras de toga preta da atual composição do Tribunal Superior Eleitoral, pelo menos, por enquanto, as excelências não podem esconder os números já fixados na memória dos eleitores. Esses são fatos e não fakes e contra eles não há argumentos capazes de alterar o rumo das coisas.

Digo por enquanto porque, quem sabe um dia, um dos aliados da mais nociva forma de fazer política decida apresentar uma PEC para obrigar que as pesquisas eleitorais sejam impressas e auditáveis. Exagero? Não para o povo que acha normal tudo que é anormal, inclusive proibir que o desejo de uma parcela do eleitorado seja informado à maioria. Depois dizem que defendem a liberdade de expressão em qualquer situação.

Se a ideia é tumultuar a preocupante tranquilidade da pré-eleição, o resultado pode ser devastador, na medida em que o tumulto é considerado como a linguagem usada por aqueles que ninguém entende.  A ação que gerou a proibição da divulgação da pesquisa AtlasIntel talvez tenha o efeito de um remédio com acidez acima do permitido. Nesse caso, o mal pode se agravar e se tornar incurável. A queda nos índices eleitorais é o sintoma de maior gravidade.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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