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Soneto

Por gratidão ao mesmo Augusto Senhor

Publicado

Autor/Imagem:
Delfina Benigna da Cunha - Foto Francisco Filipino

Oh, ínclito imperante, eis-me prostrada
A teus pés abatida e respeitosa,
Beijando a divinal mão dadivosa,
Que a vida me tomou menos pesada.

Tua alma de virtudes adornada
Comigo se há mostrado tão piedosa,
Que bem posso zombar da sorte irosa,
Tendo minha esperança em ti fundada.

Apenas o meu triste mal soubeste,
Egrégio Imperador d’alta memória,
Tornar-me venturosa, enfim, quiseste:

Tua fama, Senhor, é já notória,
O teu nome imortal fazer pudeste
Dando nome ao Brasil, ao mundo glória.

……………

Delfina Benigna da Cunha (1791–1857) foi uma poetisa brasileira . Suas obras refletiram a crescente participação sociopolítica das mulheres brasileiras por meio da produção literária e jornalística. Da Cunha explorou questões de gênero, bem como identidades imperiais e nacionais.

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